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Divórcio entre Ligue 1 e Mediapro abre era de incerteza no futebol francês

11/12/2020 21h49

Paris, 12 dez 2020 (AFP) - O contrato monumental com a Mediapro pelos direitos de transmissão do Campeonato Francês foi recebido em 2018 com rufar de tambores. Agora, a decisão anunciada nesta sexta-feira (11) pela Ligue 1a para pôr fim à sua relação com a empresa sino-espanhola abre uma era de incerteza econômica no futebol da França.

O fracasso do grupo sino-espanhol era evidente, após descumprir seus pagamentos em outubro e depois em dezembro, invocando a crise trazida pela pandemia da covid-19. A quantia não paga chega a 325 milhões de euros (394 milhões de dólares).

Mas depois de longas semanas de negociações, a Ligue 1 e sua emissora chegaram a um acordo sobre a retirada do Mediapro "em um futuro próximo", confirmou na noite desta sexta-feira o grupo liderado pelo espanhol Jaume Roures.

Na noite de quinta para sexta-feira, o acordo foi redigido, depois apresentado pela manhã à diretoria da LFP, segundo uma fonte a par das negociações.

Este protocolo, que deve ser aprovado entre os dias 17 e 22 de dezembro pelo tribunal comercial de Nanterre - fora de Paris - vai permitir que a Ligue recupere seus direitos televisivos, e se compromete a não atacar a Mediapro em tribunal, disse mesma fonte. A empresar vai pagar uma indemnização de 100 milhões de euros, 36 deles em 2021.

A saída da Mediapro, que começou a comercializar nesta temporada os direitos deste campeonato, deve ser validada pelo Tribunal de Comércio de Nanterre, afirmou a mesma fonte. Com isso, a LFP deverá recuperar seus direitos de difusão até 21 de dezembro.

Procurada pela AFP, a Mediapro não quis fazer comentários, mas a rede Telefoot, criada pelo grupo empresarial para transmitir as partidas desta temporada, disse que continuará sua exibição "pelo menos até 23 de dezembro", à espera de um futuro interessado em assumir as transmissões.

Pedindo para não ser identificado, um jornalista da Telefoot contou que os funcionários foram reunidos por videoconferência nesta sexta.

"(Julien) Bergeaud - diretor-geral - nos disse, muito emocionado e quase a ponto de chorar, que acabou", relatou a fonte da AFP.

"O golpe é monumental", completou, acrescentando que foi pedido aos funcionários que mantenham sua atividade ao longo dos próximos dias.

Os olhos agora se voltam para o Canal Plus, que continua discreto no caso e já indicou por meio de seu diretor-executivo Maxime Saada que não vai reinvestir "para perder" no futebol.

Isso levanta temores de um corte de várias centenas de milhões de euros por ano. Uma queda significativa que corre o risco de ser difícil de ser absorvida por muitos clubes já fragilizados devido à crise de saúde e pelos estádios vazios. Questionado pela AFP, o Canal + não respondeu.

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