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Cepal reduz estimativa de queda do PIB da América Latina em 2020 para 7,7%

16/12/2020 15h24

Santiago, 16 dez 2020 (AFP) - A América Latina sofrerá em 2020 sua pior contração do PIB em mais de um século (-7,7%) pelo coronavírus, mas a reabertura dos comércios e os auxílios oficiais, que devem continuar, moderaram uma queda que se esperava mais profunda - declarou a Cepal nesta quarta-feira (16).

A Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) reduziu nesta quarta sua estimativa de queda do PIB regional de 9,1%, previsto em meados do ano, para 7,7%.

A reabertura gradual das economias nos últimos meses e as ajudas fiscais a famílias e empresas permitiram moderar as quedas da atividade, especialmente no Brasil, a maior economia regional, disse a Cepal, ao divulgar seu balanço anual sobre a região.

Para 2021, a região terá um crescimento de 3,7%, "mas não conseguirá recuperar os níveis de atividade econômica pré-pandemia", algo que pode acontecer até 2024, afirmou em coletiva de imprensa virtual Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal, um organismo técnico das Nações Unidas com sede em Santiago.

"A dinâmica do crescimento em 2021 está sujeita a uma grande incerteza relacionada ao risco de novos surtos da pandemia, à agilidade para produzir e distribuir as vacinas e à capacidade para manter os estímulos fiscais e monetários para apoiar a demanda agregada e os setores produtivos", explicou Alicia.

A crise derivada da pandemia, que afetou a América Latina como nenhuma outra região do mundo, "será maior do que esperávamos", o que pode impactar a estimativa de crescimento para o próximo ano, que reflete fundamentalmente um "rebote estatístico" após as impactantes quedas de 2020, continuou a Cepal.

A Cepal estima que 3,1 pontos da taxa de crescimento de 2021 correspondem à "transição estatística", o que significa que o crescimento real projetado para o próximo ano é de apenas 0,6%.

Além disso, considera que a taxa de 3,7% "só permitirá recuperar 44% da perda do PIB registrada em 2020".

Com vistas a 2021, a recuperação da economia da China, principal sócio econômico da América Latina, será crucial - principalmente para os países produtores de matéria-prima.

A Cepal também define como crucial a manutenção dos auxílios estatais para famílias e empresas, benefícios que permitiram atenuar a queda do PIB regional na segunda metade do ano.

"No plano regional, também se espera que os estímulos monetários e os de política fiscal não sejam retirados prematuramente. Caso contrário, a recuperação esperada da atividade pode ser interrompida", alertou a Cepal.

- Todos caem -Em 2020, todos os países da região terminarão com quedas em seu PIB, após o severo impacto das medidas de fechamentos de comércio, fronteiras e atividades produtivas, decretadas para conter o avanço dos casos de coronavírus.

A queda registrada pela economia do Paraguai será a menos pronunciada, com 1,6%, enquanto a Venezuela registrará o pior desempenho, com uma queda de 30%, seguida pelo Peru, com um declínio de 12,9%, de acordo com a Cepal.

O Brasil, a maior economia regional, registrará uma contração de 5,3% após um desempenho melhor que o esperado para a segunda metade do ano, enquanto a queda no México será de 9%. Já na Argentina a queda da atividade econômica será de 10,5%.

Em um contexto de contração global, a Cepal já explicou que antes da pandemia a região mostrava um crescimento baixo: em média 0,3% entre 2014-2019, o que aumentou o impacto das medidas decretadas para evitar a propagação dos contágios, assim como o desemprego e os níveis de pobreza.

A Cepal estima que o desemprego fechará 2020 na região em torno de 10,7%, um valor que foi moderado pela "profunda queda da participação laboral". Se esse fator não fosse mediado, o desemprego seria de mais de 18%.

Considerando-se os seis anos anteriores de baixíssimo crescimento econômico e os quatro que restam para normalizar os níveis pré-pandemia, "podemos afirmar que a região está diante de uma nova década perdida", disse Barcena, usando um termo marcado na década de 1980, quando ocorreu a crise da dívida nos países latino-americanos.

pa/mr/aa/tt