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Navegação no Canal de Suez é suspensa por cargueiro encalhado

25/03/2021 20h01

Cairo, 25 Mar 2021 (AFP) - A navegação no Canal de Suez foi suspensa temporariamente, nesta quinta-feira (25), até que as autoridades consigam retirar um cargueiro gigantesco que bloqueia o tráfego desde quarta (24) nesta rota comercial crucial entre Europa e Ásia - uma tarefa que se mostra bastante complicada.

A Autoridade do Canal de Suez (SCA) anunciou a medida até conseguir desencalhar o "Ever Given", navio de 400 metros de comprimento que bloqueia a via.

Mohab Mamish, assessor do presidente Abdel Fatah al Sisi para assuntos portuários, disse à AFP que a navegação seria retomada "em 48 ou 72 horas no máximo".

"Tenho experiência em várias operações de salvamento deste tipo e, como ex-presidente da Autoridade do Canal de Suez, conheço cada centímetro do canal", acrescentou Mamish, que supervisionou o recente alargamento desta rota marítima altamente frequentada.

Mas horas antes, a empresa holandesa Smit Salvage, a empresa que opera o navio, Evergreen Marine Corp, com sede em Taiwan, contratou uma operação para desbloquear o navio, que pode levar "dias ou até semanas".

A Evergreen designou equipes de especialistas da empresa holandesa Smit Salvage e da japonesa Nippon Salvage, com o objetivo de aplicar um "plano mais eficaz" para salvar o navio.

"É realmente uma baleia muito pesada na praia, uma maneira de dizer", afirmou Peter Berdowski, diretor executivo da Royal Boskalis.

De acordo com um mapa evolutivo do site Vesselfinder, dezenas de navios aguardam nos dois extremos do canal e na zona de espera situada no meio do canal.

Perante a incerteza, o grupo alemão especializado em logística marítima Hapag-Lloyd, com vários navios afectados, informou nesta quinta-feira aos seus clientes que estuda "possíveis desvios de navios para o Cabo da Boa Esperança", o que implicaria um desvio de vários milhares de quilômetros ao redor do continente africano.

A dinamarquesa Maersk examina "todas as alternativas possíveis", segundo uma porta-voz, que especificou que "39 contêineres da Maersk e dois navios parceiros" aguardam a reabertura da rota.

- Impacto nos preços do petróleo -O incidente, que aconteceu na madrugada de terça-feira para quarta-feira, provoca atrasos consideráveis nas entregas de petróleo e de outros produtos comerciais. O bloqueio provocou o aumento dos preços do petróleo.

"As consequências sobre os preços dependerão da duração do bloqueio", afirmou Bjornar Tonhaugen, da consultoria Rystad.

"Nunca vimos nada como isto antes, mas é provável que o congestionamento tome vários dias ou semanas, para ser reabsorvido, pois deve ter um efeito cascata sobre os outros comboios, horários e mercados mundiais", afirma Ranjith Raja, diretora de pesquisas sobre o petróleo do Oriente Médio e o Mar na empresa Refinitiv, que compila dados financeiros e outras informações.

O "Ever Given", um navio de mais de 220.000 toneladas que seguia para Roterdã procedente da Ásia, encalhou na madrugada de terça-feira para quarta-feira e ficou atravessado, bloqueado na ala sul do Canal de Suez.

Os especialistas citam os ventos fortes como uma das causas do incidente com o cargueiro de 60 metros de altura. A SCA também mencionou uma tempestade de areia, um fenômeno comum no Egito nesta época do ano, que reduz a visibilidade e provocou o desvio do navio.

- "Dificuldades extremas" -O Bernhard Schulte Shipmanagement (BSM), que tem sede em Singapura e é responsável pela gestão técnica do "Ever Given", informou que os 25 membros da tripulação estão a salvo. Não há contaminação nem danos na carga do navio, que tem capacidade para mais de 20.000 contêineres.

A empresa japonesa Shoei Kisen Kaisha, proprietária do cargueiro, admitiu nesta quinta-feira que enfrenta grandes dificuldades para trazer o navio à tona.

"Em cooperação com as autoridades locais e a empresa Bernhard Schulte Shipmanagement, estamos tentando desencalhar o navio, mas enfrentamos uma dificuldade extrema", afirmou a Shoei Kisen Kaisha em um comunicado.

A empresa pediu "sinceras desculpas" pelos atrasos no tráfego.

Ligação marítima entre Europa e Ásia, o Canal de Suez permitiu que os navios não tivessem de dar a volta no continente africano (o que representa, por exemplo, 6.000 km a menos entre Singapura e Roterdã), mas também foi cenário de guerras e anos de inatividade.

Um incidente como o desta semana tem grandes consequências, porque 10% do comércio marítimo internacional passa por esta via, segundo os especialistas.

bur-emp/bfi/mis/me/fp