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Leilões de arte voltam a bater recordes, impulsionados por vendas online

Segundo a empresa de consultoria e auditoria Deloitte, a lista de compradores bilionários não diminuiu - Getty Images
Segundo a empresa de consultoria e auditoria Deloitte, a lista de compradores bilionários não diminuiu Imagem: Getty Images

Da AFP

25/11/2021 08h31Atualizada em 25/11/2021 09h25

O mercado de leilões de arte está fervendo, em parte graças aos lances online, como evidenciado pelos 13 milhões dólares pagos por um manuscrito de Albert Einstein.

O manuscrito do autor da teoria da relatividade geral foi inicialmente estimado entre dois e três milhões.

O preço final desse rascunho da teoria que revolucionou a física foi praticamente cinco vezes a estimativa.

Uma inflação comum nesse tipo de mercado que, no entanto, vive outros episódios ainda mais surpreendentes. Como a recente venda do roteiro gráfico do projeto de filme "Duna", do escritor e cineasta franco-chileno Alejandro Jodorowsky.

A estimativa de venda era de 25 a 35 mil dólares. Mas a feroz disputa entre dois rivais elevou a quantia para cerca de 3 milhões de dólares.

E na arte contemporânea, a tendência é incontrolável. A empresa Artprice calculou em outubro que este mercado passou de 103 milhões de dólares anuais em 2000 para 2,7 bilhões de dólares atualmente.

Esta casa, especializada em cotações de obras, considera que a transição para a venda online "tem sido um sucesso" e que o mercado também soube orientar-se "para uma clientela nova e emergente".

"As casas de leilão tinham um sistema digital muito desatualizado. A covid obrigou que se modernizassem e os resultados das vendas pela internet são espetaculares, atraindo um público novo e mais jovem", explica Thierry Ehrmann, fundador da Artprice.

O especialista aponta, por exemplo, jovens na casa dos 30 anos que preferem começar uma coleção de arte antes de comprar um imóvel.

- Não apenas arte arte -O mercado ficou congelado durante a pandemia de 2020, mas a crise foi deixada para trás graças a essa transição. A ponto de voltarem os temores de uma bolha.

Em 12 de novembro, 71,3 milhões de dólares foram pagos por um quadro de Vincent Van Gogh, "Cabanes de bois parmi les oliviers et cyprès", em Nova York.

E não se trata apenas de arte. Um par de tênis do jogador de basquete Michael Jordan foi vendido por 1,5 milhão de dólares em outubro, o esqueleto incompleto de um tricerátopo por 7,7 milhões e uma das últimas 13 cópias originais da Constituição dos Estados Unidos por 43 milhões de dólares.

E, além disso, ganham importância as obras digitais, que se apresentam como únicas graças aos NFTs, certificados de autenticidade digital.

A febre dos leilões começou gradativamente na década de 1980, com a rivalidade de grandes bilionários americanos, japoneses e fundações privadas, a ponto de ofuscar os grandes museus. Com alguns altos e baixos, essa tendência continuou até a grande correção da crise financeira de 2008.

Os índices da Artprice mostram que entre 2015 e 2019 os preços voltaram a subir.

"Comprar e vender tornou-se algo natural: refinar sua coleção, após um divórcio, por uma mudança no gosto... E o freio psicológico de ultrapassar um milhão durante a licitação desapareceu", explica Thierry Ehrmann.

Segundo a empresa de consultoria e auditoria Deloitte, a lista de compradores bilionários não diminuiu, muito pelo contrário. "A riqueza dos indivíduos com ativos altíssimos associados a arte e colecionáveis foi estimada em 1,4 trilhão de dólares em 2020", apontou.

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