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Atingida por 'ondas sísmicas' da guerra na Ucrânia, a economia mundial desacelera

19/04/2022 11h41

Washington, 19 Abr 2022 (AFP) - Efeitos semelhantes a "ondas sísmicas que emanam do epicentro de um terremoto": a guerra na Ucrânia atingiu consideravelmente as perspectivas para a economia mundial, alertou nesta terça-feira (19) Pierre-Olivier Gourinchas, o novo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O FMI, que publicou suas previsões atualizadas por ocasião de suas reuniões de primavera, espera agora um crescimento mundial de 3,6% este ano contra 4,4% em janeiro.

"O conflito e as sanções afetam diretamente a Ucrânia, a Rússia e Belarus", explicam os economistas da instituição de Washington. "Mas as consequências internacionais se espalham muito além, principalmente na Europa, por meio dos preços das commodities, ligações comerciais e financeiras, fornecimento (de alimentos e produtos energéticos) e o impacto humanitário".

Porque a Ucrânia e a Rússia são importantes produtores de grãos para muitos países, e a Rússia também é uma importante fonte de energia para a Europa.

O FMI revisou, portanto, para baixo as previsões econômicas da esmagadora maioria dos países.

Assim, o crescimento do PIB nos Estados Unidos foi reduzido para 3,7% (-0,3 ponto).

Esta nova projeção leva em conta "a retirada mais rápida do que o esperado do apoio monetário para conter a inflação, bem como o impacto do crescimento mais fraco de seus parceiros comerciais (...) resultante da guerra" na Ucrânia, detalhou o FMI.

A economia chinesa, por sua vez, sofre com a política de tolerância zero em relação à pandemia que levou a inúmeros confinamentos, incluindo o da capital econômica, Xangai.

O crescimento deve, assim, cair para 4,4% (-0,4 ponto) após 8,1% no ano passado.

- Zona do euro fragilizada -Para os países da zona do euro, a deterioração é ainda maior: +2,8% contra +3,9% em janeiro.

A Alemanha, que depende fortemente da Rússia para fornecimento de energia, vê sua previsão cortada em 1,7 pontos, para 2,1%.

"Por serem importadores de energia, a alta dos preços mundiais representa um choque negativo", resume o FMI.

O crescimento da França foi reduzido para 2,9%, o da Itália para 2,3%.

Para a Rússia, que invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro, a queda é brusca: seu PIB vai contrair 8,5%.

Apesar das sanções contra Moscou, é sobretudo a economia ucraniana que está entrando em colapso: -35% esperado este ano, dada a destruição maciça que causou a fuga de milhões de pessoas.

E levará anos para que o país se recupere desse conflito, mesmo que chegasse ao fim imediatamente.

Em outras partes do mundo, os países exportadores de petróleo estão se saindo bem com o aumento dos preços. Assim, a previsão de crescimento da Arábia Saudita chega a 7,6% (+2,8 pontos).

- Inflação -No geral, o impacto da guerra na Ucrânia tem tido um impacto mais forte, pois ocorreu quando a economia ainda não estava totalmente recuperada da pandemia de coronavírus.

O conflito também agrava o vertiginoso aumento dos preços.

O FMI espera uma inflação de 5,7% este ano para os países avançados (+1,8 ponto) e de 8,7% (+2,8 pontos) para as economias emergentes e em desenvolvimento.

O pico deve ser alcançado este ano. Mas mesmo em 2023, a inflação ainda deve permanecer acima das metas dos bancos centrais nos países avançados e permanecer muito alta nos países emergentes e em desenvolvimento (6,5%).

O FMI, que também rebaixou as perspectivas de crescimento global para 2023 (+3,6%, -0,2 ponto), alerta para as muitas nuvens no horizonte.

"No geral, os riscos são (...) comparáveis à situação no início da pandemia", estima.

- Distúrbios sociais? -O primeiro risco é o impasse da guerra, o agravamento da crise humanitária e as sanções.

Além disso, o aumento dos preços provavelmente provocará protestos sociais que podem ser exacerbados em países que recebem um grande número de refugiados.

"Os níveis recordes de endividamento induzidos pela pandemia estão deixando as economias de mercado e em desenvolvimento mais vulneráveis a subidas das taxas de juro", alerta ainda o FMI.

Por fim, "a fratura nas relações internacionais pode minar a confiança e a cooperação, que são essenciais para enfrentar os desafios de longo prazo, em particular as mudanças climáticas", teme o FMI, que não exclui um ressurgimento da pandemia.

Dt/jul/rle/mr/jc