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Economia da zona do euro cresce 0,7% no 2º trimestre e resiste à inflação

Sinal do euro na sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt, Alemanha - Kai Pfaffenbach
Sinal do euro na sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt, Alemanha Imagem: Kai Pfaffenbach

29/07/2022 08h56

A economia europeia demonstra uma resiliência surpreendente diante do aumento dos preços de energia e alimentos, de acordo com dados oficiais divulgados nesta sexta-feira (29), mas a Alemanha estagnou, alimentando temores de uma recessão.

O crescimento na zona do euro superou as expectativas no segundo trimestre, com expansão de 0,7% em relação ao período anterior, segundo a agência oficial de estatísticas da UE, Eurostat.

Os economistas esperavam uma desaceleração após o crescimento de 0,5% em janeiro-março, mas a atividade permaneceu forte, graças a setores como o turismo, especialmente na Espanha e na França.

O setor do turismo se recuperou após o levantamento das restrições ligadas à pandemia, apesar de a guerra na Ucrânia alimentar um aumento dos preços nos 19 países da zona do euro.

Com uma progressão de 0,7% com relação ao primeiro trimestre, ou +4% face ao segundo trimestre do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro teve um desempenho superior ao dos Estados Unidos em abril-junho.

De fato, o PIB americano encolheu 0,9% a uma taxa anualizada, após cair 1,6% no primeiro trimestre.

Dentro do bloco europeu, a situação é contrastante. Espanha (1,1%), Itália (1%) e França (0,5%) cresceram, mas a Alemanha, a maior economia europeia, estagnou (0%).

A Alemanha, uma grande potência industrial, é a mais afetada pela guerra na Ucrânia, que se somou aos problemas do país pelas contínuas restrições da covid-19 na China, um mercado crucial.

A estagnação do crescimento alemão no segundo trimestre levou os analistas a preverem uma recessão no país que se espalharia por todo continente.

Além disso, a Rússia reduziu drasticamente o fornecimento de gás para a Alemanha, aumentando os temores de que os níveis de estoque sejam muito baixos neste inverno. E ainda há a expectativa de racionamento, o que seria devastador para a economia.

"Provável" recessão

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a Alemanha é o país em maior risco com a guerra na Ucrânia. Os economistas concordam que as perspectivas da Europa para os próximos meses são altamente incertas, em função do conflito.

"Os dados do PIB, melhores do que o esperado não alteram o fato de que a crise energética, a inflação e as taxas de juros crescentes provavelmente levarão a região à recessão no final do ano", disse Andrew Kenningham, economista da Capital Economics.

A inflação da zona do euro alcançou um novo recorde pela guerra na Ucrânia e as sanções ocidentais contra Moscou, atingindo 8,9% em julho, após 8,6% em junho.

Este indicador atingiu um novo recorde desde novembro.

Além do aumento dos preços da energia (combustível, gás, eletricidade), as famílias europeias enfrentam cada vez mais o aumento dos preços dos alimentos.

Entre os componentes da inflação, a energia continuou a registrar o maior aumento anual, embora com uma desaceleração de 39,7% (face a 42% em junho).

Os preços dos alimentos (incluindo álcool e tabaco) aumentaram 9,8%, após 8,9% em junho.

Os preços dos bens industriais e dos serviços aumentaram 4,5% e 3,7% em julho, respectivamente, o que representa um ligeiro aumento em relação ao mês anterior.

A inflação mais baixa foi registrada na França (6,8%) e Malta (6,5%) em julho.

Os países bálticos registraram as taxas mais elevadas: 22,7%, na Estônia; 21%, na Letônia; e 20,8%, na Lituânia.