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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como ganhar dinheiro e não entrar em pânico enquanto a crise não passa?

Você está sentindo a crise no bolso? Veja o que fazer com as suas aplicações até este momento passar - Damir Khabirov/iStock
Você está sentindo a crise no bolso? Veja o que fazer com as suas aplicações até este momento passar Imagem: Damir Khabirov/iStock
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Valter Police

11/07/2022 04h00

Para começar, uma questão: será que um dia essa crise vai passar? Sei que a sensação que temos é de que ela vai durar para sempre. Afinal de contas, tudo o que lemos, vemos e ouvimos nos faz pensar assim: inflação nas alturas, preço da gasolina batendo recordes, desemprego, juros altos, violência, Bolsas derretendo aqui e no mundo todo, guerra na Europa, recessão e por aí vai. Além disso, nesse ano temos eleições e aí já viu: mais tensões nos mercados e o clima de incerteza de onde isso pode parar.

Essas reflexões e questionamentos são comuns e converso com frequência sobre elas com meus clientes e colegas. Eu costumo lembrá-los de que, normalmente, essas sensações que temos não correspondem exatamente às situações que originam esses sentimentos. Elas tendem a ser exageradas em intensidade, mas, principalmente, em duração. Quer ver só?

Vai passar?

Vou listar algumas situações passadas como exemplo e vou propor a você o exercício de tentar se lembrar quais foram as sensações e impressões que sentiu nesses momentos:

  • 2000: Bolha do "pontocom", que fez os mercados derreterem, em especial ligados à tecnologia.
  • 2001: Atentados terroristas nas torres gêmeas.
  • 2008: Crise financeira (imobiliária - subprime) americana, com reflexos nos mercados em todo o mundo.
  • 2010: Crise na Grécia, com abalos nos mercados globais, em especial europeu.
  • 2015/2016: Processo de impeachment, recordes de inflação, recessão e desemprego.
  • 2017/2018: "Joesley day" e greve dos caminhoneiros, com quedas expressivas nos mercados.
  • 2020: Pandemia - coronavírus.
  • 2022: Guerra na Ucrânia.

Sabe o que todos esses episódios tiveram em comum? A sensação de pânico, de que nunca vai acabar, de que dessa vez será diferente e que nosso dinheiro vai sumir. Foi assim que a maior parte das pessoas se sentiu e é assim que a maior parte das pessoas se sente hoje.

No entanto, da mesma forma que todas essas crises anteriores com as mais diversas origens passaram, a que estamos vivenciando agora também vai passar. Ah, não se esqueça de que uma próxima crise virá, com certeza, embora essa próxima também irá passar. Só não sabemos quando isso acontecerá, muito menos qual será sua origem, intensidade e duração.

Temos que entender que essa dinâmica do mercado é normal. Crises vêm e vão desde o início dos mercados e isso não vai mudar. O que pode mudar é nossa postura e atitude diante desses cenários. Quais decisões tomamos nesse momento. Como nos comportamos.

Devo mudar de investimentos?

Eu sei que o mercado transacional de investimentos, aquele que vende produtos e recebe comissões pelas vendas —pagas pelos fornecedores desses mesmos produtos— tenta fazer os investidores migrarem de investimentos a todo momento.

Frases como "Agora é a hora da renda fixa", "Chegou o momento da Bolsa", "Não fique de fora dessa onda" são algumas das tentativas de fazer com que as pessoas tirem valores de um ativo para colocar em outro.

A verdade, no entanto, é que ninguém sabe quais serão os investimentos mais rentáveis da próxima semana, do próximo mês ou do próximo ano. Sei que é uma informação difícil de engolir, mas é a mais pura verdade. E se alguém soubesse mesmo, não te contaria.

Por esses motivos, a melhor recomendação sobre seu comportamento como investidor é não se desesperar em momentos de crise nem se empolgar em momentos de euforia. Ambos levam a maus resultados. Os investimentos não vão tornar uma pessoa milionária em um curto espaço de tempo. Isso não existe.

Uma vez, Jeff Bezos, dono da Amazon, perguntou para Warren Buffett o porquê nem todo mundo copiava sua filosofia de investimentos, já que era tão simples e tinha o tornado um dos homens mais ricos do mundo. O sr. Buffett respondeu: "Porque ninguém quer ficar rico devagar."

O mercado transacional vende a ideia de riqueza rápida. Vende, mas não entrega. Pior do que isso, priva as pessoas de terem investimentos realmente bons, que podem torná-las ricas, mas com o devido prazo, que é longo.

O ideal é que você sempre tenha uma carteira amplamente diversificada, com muitas classes de ativos como renda fixa (pós-fixada, pré, atrelada à inflação, de emissores privados e do governo), renda variável (ações de empresas brasileiras e estrangeiras, de diversas partes do mundo e de muitos setores), moedas, juros fora do país, metais, mercados imobiliários, etc.

Essa carteira deve ter muito menos influência do cenário econômico transitório de curto prazo e muito mais influência do seu perfil como investidor, dos seus objetivos e de sua situação financeira.

Em outras palavras, sua carteira de investimentos não tem que ter a cara do mercado de hoje, mas tem que ter a sua cara, como investidor para o longo prazo. É difícil de montar e de manter, mas bons gestores profissionais podem fazer isso por você.

Investimentos devem ter a sua cara

Para concluir, evite fazer grandes movimentos em sua carteira, em especial em momentos de pânico e de euforia, para manter sempre sua carteira dentro de seu perfil e alinhada ao que você e só você quer da vida.

Para te ajudar a manter a cabeça no lugar e não sucumbir aos "cantos de sereia" de quem diz prever o futuro, a melhor solução é ter alguém isento para conversar sobre esses assuntos. Um planejador financeiro, que trabalha no modelo fiduciário, no qual o alinhamento de interesses, ao invés dos conflitos, é a base do relacionamento, pode ajudar a ter melhores comportamentos, com decisões financeiras mais assertivas, o que tende a te aproximar de seus objetivos e, além disso, ter melhores noites de sono. Boas escolhas!

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.