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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O tripé do sucesso financeiro que pode mudar seus investimentos

Tripé da proteção: Proteja seu patrimônio fazendo boas escolhas para seus investimentos - Getty Images/iStockphoto
Tripé da proteção: Proteja seu patrimônio fazendo boas escolhas para seus investimentos Imagem: Getty Images/iStockphoto
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Valter Police

Valter Police

Planejador Financeiro CFP(R), é o Head da Academia Fiduc, além de administrador de carteiras registrado na CVM.

13/06/2022 04h00

Vou começar o artigo traçando um paralelo com o futebol: o jogo começa a ser ganho quando o time evita tomar gols. Por isso, a maior parte dos treinadores de hoje em dia monta seus times "de trás para a frente". Com uma defesa sólida, o ataque tem mais confiança e pode atuar para seu pleno potencial.

Esse conceito pode —e deve— ser aplicado nas nossas finanças pessoais e em duas frentes:

  • Em nosso orçamento
  • No patrimônio

É muito comum que nosso foco seja aumentar nossas receitas, e isso deve ser, sim, uma prioridade, mas lembro que Henry Ford já disse que não ficou rico com o dinheiro que ganhou, mas com o que não gastou.

O foco deveria estar em primeiro lugar no controle dos gastos, seja nas grandes decisões, seja nas pequenas coisas do dia a dia. Isso não quer dizer se tornar um grande avarento, mas saber que temos muito mais controle sobre as despesas do que sobre as receitas e, assim, podemos atuar de maneira muito mais intensa nesse lado.

Com relação ao nosso patrimônio, essa questão também é fundamental. A proteção deve vir em primeiro lugar nas análises. Onde vai investir? Quais os riscos? Os recursos ficam guardados em qual instituição? Essas questões deveriam ser esmiuçadas antes de qualquer análise ou informação sobre possibilidades de retornos.

O maior exemplo sobre essa questão reside hoje nos criptoativos: Você vai guardá-los na exchange (corretora) em que comprou? Qual a segurança que ela oferece? Empresas similares já foram hackeadas ou mesmo fecharam as portas deixando os clientes sem informações nem os ativos? Ou vai preferir guardá-los localmente, em seu computador ou outro aparelho? Nesse caso, qual a segurança que oferecem? E as senhas, ficarão guardadas onde?

São muitos pontos a serem avaliados, e por enquanto só falamos sobre a questão da guarda, nem entramos na questão dos riscos daquele ativo passar a valer nada, como também já aconteceu em alguns casos.

Tripé de proteção

Mesmo nos investimentos tradicionais, vale essa reflexão: Investe em renda fixa, como CDB, CRI ou debêntures? Esses são títulos representativos de empréstimos e, assim, você conhece bem para quem está emprestando seu dinheiro? O maior risco aqui é o de calote.

Além disso, temos ainda os golpes, nos quais se pede para transferir o dinheiro para alguma conta de pessoa física ou mesmo de uma empresa cuja atividade não tem nenhuma proximidade com investimentos.

Desta forma, a primeira "perna" do tripé é "proteção". Proteja suas receitas fazendo boas escolhas para as despesas. Proteja seu patrimônio fazendo boas escolhas para seus investimentos.

Para falar sobre a segunda "perna", pergunto: Você já viu algum avião comercial que não tenha copiloto? Ou algum piloto de rali de carros que não tenha navegador? O papel deles é fundamental porque suas atuações permitem que o piloto tome as decisões que precisa, tendo informações embasadas e atualizadas, fornecidas por alguém em quem confiam.

Aqui está o xis da questão. Não se pode ter um "companheiro de jornada" no qual não se confia. Ainda mais para a tomada de decisões tão importantes.

É a mesma coisa com relação ao cuidado de nossas finanças. Será que temos alguém de confiança, com o conhecimento necessário para nos auxiliar nas tomadas de decisões de nossa vida financeira? Quem é essa pessoa? Ela nos conhece com a profundidade necessária para compreender nossos objetivos, situação atual e até mesmo as reações emocionais que possamos ter?

Desta forma a "segunda perna" de nosso tripé é contarmos com a proximidade de um profissional que conheça o mundo das finanças e em quem possamos confiar durante nossa jornada financeira.

A "terceira perna" diz respeito aos fornecedores dos instrumentos financeiros que você utiliza na sua vida: seguros, conta corrente, investimentos, crédito e tudo o mais.

Você precisa entender o modelo de remuneração de toda a cadeia de fornecimento e entender todos os eventuais conflitos de interesse. Esses conflitos, sempre existentes em maior ou menor grau, são fundamentais em relacionamentos de longo prazo. Não é uma questão sobre a ética dos profissionais. Eles não são necessariamente "bons" ou "maus". O modelo é!

Assim, procure por fornecedores cujos modelos de remuneração reduzam os conflitos e priorizem o alinhamento de interesses. Em prazos mais longos, essa relação chamada "fiduciária" tende a dar resultados muito melhores, como diversas pesquisas pelo mundo indicam, uma vez que existirão erros ao longo do caminho; afinal somos todos humanos, mas em relações não fiduciárias esses erros ocorrem também pelos conflitos de interesse.

Quando temos nossas finanças suportadas por esse tripé, as chances de sucesso financeiro ao longo da vida aumentam muito. Busque por:

  1. Proteção
  2. Um profissional de confiança ao seu lado
  3. Fornecedores com interesses alinhados aos seus

A partir daí suas decisões tendem a ser feitas com muito mais assertividade, e você pode gastar seu tempo com o que realmente interessa para você, como seu trabalho, sua família, seus estudos ou qualquer outra atividade, em vez de ficar sempre preocupado se as suas contas, investimentos ou seguros estão bem escolhidos e trabalhando para você, em vez de estarem trabalhando para os fornecedores.

Boas escolhas!

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.