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OPINIÃO

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4 armadilhas para seus investimentos e como evitá-las

Conheça as armadilhas para as más decisões em seus investimentos - Getty Images/iStockphoto
Conheça as armadilhas para as más decisões em seus investimentos Imagem: Getty Images/iStockphoto
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Valter Police

Valter Police

Planejador Financeiro CFP(R), é o Head da Academia Fiduc, além de administrador de carteiras registrado na CVM.

16/05/2022 04h00

Como abordamos no artigo anterior, o pior inimigo de seus investimentos são suas emoções. Mas, sabendo disso, como reconhecer as armadilhas e, mais ainda, como não cair nelas?

As finanças comportamentais, que estudam o funcionamento de nossa mente sobre as decisões financeiras que tomamos, têm sido popularizadas em todo o mundo por grandes estudiosos do tema, como Daniel Kahneman, vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2002.

Elas, as finanças comportamentais, explicam muita coisa e podem nos ajudar a entender os gatilhos para as más decisões, evitando erros que podem nos custar muito caro e nos impedir de alcançar nossos objetivos de vida.

Então, vamos conhecer algumas das principais armadilhas e nos preparar:

1) Viés para a ação

A primeira delas é o viés para a ação, uma espécie de compulsão. Em nossa cabeça, se algo aconteceu — digamos, com o cenário econômico, que pode ser uma subida ou queda nas taxas de juros, no câmbio, na inflação ou na Bolsa —, nós sentimos que temos que fazer algo com nossos investimentos e buscamos opções ou aconselhamentos que nos indiquem o que fazer, desde que seja fazer algo.

Esse viés ainda é alimentado por um modelo de comercialização de investimentos que remunera melhor os fornecedores quanto mais os clientes giram suas carteiras: uma tempestade perfeita!

Além de pagar mais comissões e impostos, esse viés tende a nos fazer sair dos investimentos antes de eles obterem uma boa performance e entrar em outros que já entregaram retornos, mas no passado.

2. Heurística da disponibilidade

A segunda é chamada de heurística da disponibilidade e funciona como um atalho mental, que faz com que levemos os fatos recentes muito mais em consideração do que deveríamos, porque eles estão frescos em nossas mentes.

Como exemplo, pesquisas indicam que a venda de passagens aéreas cai após um acidente com um avião comercial. No entanto, as probabilidades de um novo acidente ocorrer não se alteraram por esse fato, e esse meio de transporte permanece sendo um dos mais seguros já inventados pela humanidade.

Ainda assim, a heurística da disponibilidade atua e dá um peso maior do que o devido ao fato, nos fazendo muitas vezes optar por meios de transporte mais arriscados.

Com relação aos investimentos, você já percebeu como a maior parte das pessoas escolhe um fundo para investir? Elas observam os retornos passados, em especial os períodos mais recentes, apesar de todas as comunicações dizerem que "retornos passados não são garantia de retornos futuros".

Em nossa mente, aquilo que vem acontecendo tende a continuar acontecendo, o que simplesmente não é verdade.

3. Excesso de confiança

A terceira armadilha é o viés chamado de excesso de confiança, que, como o nome já indica, faz com que os investidores tenham convicção de que conseguem ler o mercado e tomar decisões mais assertivamente e até mais rapidamente do que grandes investidores profissionais.

É como se eu ou você fizéssemos um curso de pilotagem de um fim de semana ou mesmo de alguns meses e pensássemos que poderíamos desafiar o Lewis Hamilton para uma corrida.

Novamente aqui a indústria de venda de produtos financeiros ou de informações sobre o mercado tenta convencer as pessoas de que, caso elas comprem seus produtos, elas poderão realmente ter um desempenho incrível ou, em outras palavras, ganhar do Hamilton.

Os recursos financeiros e de pessoal, experiência e estudos acumulados pelas melhores equipes de gestão são incomparáveis com o que um investidor amador pode fazer — e deveríamos lembrar disso com alguma humildade.

4. Medo de ficar de fora

Por fim, a quarta armadilha se chama, em tradução livre, medo de ficar de fora (no original, "Fomo" ou Fear Of Missing Out). Quando ouvimos que determinado investimento tornou algumas pessoas milionárias, como aconteceu com os criptoativos e com alguns setores de ações no Brasil e no mundo, reforçamos um desejo intenso de não "perdermos o próximo trem".

Esse medo de que todos estão ganhando muito e apenas nós ficamos para trás é muito forte, mas nos faz tomar péssimas decisões, muitas vezes nos levando a cair em golpes, como pirâmides financeiras, ou mesmo investir em coisas sobre as quais não entendemos praticamente nada (se você lembrou do metaverso, pode ser um ótimo exemplo) e, assim, muito provavelmente, perderemos dinheiro.

Como se proteger das armadilhas?

Agora que conhecemos algumas das principais armadilhas, como podemos nos precaver para que elas não nos peguem? Algumas ações podem ajudar bastante:

Emoções sob controle x empolgação

Tente reconhecer em você se suas emoções estão sob controle ou se existe uma empolgação com os investimentos, denotando ganância, ou, no outro lado do espectro, um medo quase paralisante.

Se sentir que essas emoções estão afloradas, o melhor a fazer é não tomar nenhuma decisão, até que elas voltem à normalidade. Conversar com bons profissionais do mercado pode ajudar a esclarecer dúvidas e trazer mais razão ao tema.

Não se iluda com o imediatismo

Não existe investimento com retornos altos, imediatos e garantidos. Isso é propaganda barata, quando não é fraude mesmo. Investimentos bem feitos podem trazer bons retornos, mas para isso precisam de prazo para maturar e aqui não estou falando de meses, mas de muitos anos.

O imediatismo pode ser um grande inimigo. Analise se aquela oferta de investimentos não foi feita nos mesmos moldes das liquidações em lojas de departamentos, no estilo "só hoje"! Esse é um grande indicativo de que o vendedor está tentando atingir o seu "Fomo" e fazer com que você invista sem pensar muito no assunto.

Evite olhar os retornos de seus investimentos com muita frequência

Esse hábito é um dos piores para nossas emoções, nos levando a péssimas decisões. Observar retornos de menos de um mês não faz sentido e o melhor seria olhar uma (ou poucas) vez ao ano.

Cuidado com conflitos de interesse

Entenda como seus fornecedores de investimento são remunerados e se as sugestões que eles fornecem mudam as próprias remunerações. Os conflitos de interesse nesse segmento podem trazer grandes problemas aos investidores e, entendê-los, pode ajudar a tomar os cuidados necessários, antes das decisões.

Não priorizar seu perfil de investidor

Sua carteira de investimentos tem que ter muito mais a ver com o seu perfil como investidor, suas características, necessidades e objetivos, do que com o cenário econômico.

Assim, sua carteira deveria se alterar quando as suas características se alteram e não quando os juros sobem ou caem. Desta forma, o giro da sua carteira tende a ser bem menor, com economias de taxas e impostos, melhorando o retorno e evitando as práticas de comprar caro e vender barato.

Pesquise muito e converse bastante até entender qual a melhor carteira para você nesse momento, mas depois de montá-la, dê tempo para que ela possa entregar bons retornos.

Conhecendo os motivos que nos fazem tomar más decisões, podemos aprender a evitá-las e, assim, nos aproximarmos de nossos objetivos.

Boas escolhas!

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.