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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Poupança hoje rende menos que em 1861; entenda e veja opção mais lucrativa

Você sabe por que o porquinho é símbolo da poupança? E por que investir em poupança é coisa do passado? Descubra - Getty Images/iStockphoto
Você sabe por que o porquinho é símbolo da poupança? E por que investir em poupança é coisa do passado? Descubra Imagem: Getty Images/iStockphoto
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Letícia Braga de Andrade

13/05/2022 04h00

O filme "E o Vento Levou" (1939) conta a história de amor entre a filha de um fazendeiro rico, a Scarlett, com o nobre Rhett Butler. A narrativa conta a jornada da heroína que, há oito décadas, num cenário de guerra civil americana, passa de "dondoca mimada" a mulher dona de seu próprio futuro — pelo menos no nível que era imaginável na época. Bem, a arte imita a vida, e a história nos mostra que só quem aprende com ela é que está preparado para o futuro.

Mas que futuro queremos? Independentemente de você ter essa resposta, uma das condições para ser dono do próprio futuro é ter liberdade financeira. A conquista da liberdade financeira acontece quando a receita gerada por seus investimentos se torna suficiente para pagar seu custo de vida.

A jornada de conquista da liberdade financeira começa poupando, ou seja, sendo racional no consumo. Uma vez gerada a poupança, o passo seguinte é escolher onde investir esse dinheiro para que ele comece a render. Só que a caderneta pode não ser a melhor opção — veja abaixo por quê.

A forma mais primitiva de investir, antes mesmo da existência do dinheiro, era criando porcos. Isso porque esses animais se alimentam de restos de comida, se reproduzem rapidamente, vivem por bastante tempo e, em momentos de maior aperto, podem virar uma refeição. Daí os cofres em formato de porquinhos.

Poupança rende menos do que nos tempos de D. Pedro 2º

No Brasil, a forma mais antiga de investir dinheiro é a poupança, criada em 1861 pelo neto de D. Pedro 2º ainda na época da monarquia.

Apenas para ilustrar a idade da nossa caderneta, naquela época sequer havia sido inventada a luz elétrica, nossa população era de maioria analfabeta e a escravidão ainda era permitida no nosso país.

O decreto nº 2.723 que criou a poupança fixou seu rendimento em 6% de juros ao ano, garantidos pelo Tesouro Imperial. Então, para quem atualmente tem suas economias aplicadas na caderneta de poupança, saiba que seu dinheiro está rendendo menos do que renderia em 1861!

Poupar é essencial se quisermos construir nossa liberdade financeira. O Dia Mundial da Poupança, comemorado em 31 de outubro, foi instituído para conscientizar as pessoas ao redor do mundo sobre a importância de economizar seu dinheiro, de forma a deixá-lo se valorizando.

Segundo pesquisa da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) de 2020, dos brasileiros que ainda possuíam investimentos em caderneta de poupança, 21% justificavam sua decisão em função de segurança e facilidade de acesso.

Além disso, o tempo médio de aplicação era de 11 anos. Aí surge a dúvida: o que leva uma pessoa a abrir mão de uma rentabilidade maior para ter o dinheiro disponível, mas deixar esse dinheiro aplicado por cerca de 11 anos? A única explicação que vejo é o desconhecimento de outras opções de investimento!

Então, aqui segue um ótimo exemplo de outra opção de investimento e mais comum: o CDB (Certificado de Depósito Bancário). Quando você investe em CDB, você empresta seu dinheiro ao banco (chique, né?!) e vira a mesa — ou seja, faz aquele "juros sobre juros" contar a seu favor.

3 pontos de destaque sobre os CDBs

1) Rentabilidade

A rentabilidade dos CDBs está relacionada ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Este, por sua vez, é calculado tendo como referência a taxa básica de juros (a Selic), a mesma da caderneta de poupança.

A diferença é que, enquanto a caderneta de poupança tem uma remuneração máxima fixada por lei, o CDI varia conforme as oscilações da Selic. Então, subiu a Selic, aumentou a rentabilidade do CDB. O que não acontecerá com a caderneta de poupança.

2) Diferentes prazos

Existem CDBs com diferentes prazos de aplicação: diário, semestral ou anual. Ao final de cada prazo, se for do seu interesse, você sempre pode reaplicar.

Se quiser sacar o valor investido antes do prazo também é possível, só que neste caso poderá incidir alguma taxa ou mesmo Imposto de Renda (IR), mas nada que o rendimento não compense.

3) Têm Fundo Garantidor de Crédito (FGC)

Quanto à segurança, investimentos em CDBs estão cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) nas instituições que o compõem. Isso significa que o FGC fica responsável por devolver até R$ 250 mil por CPF/CNPJ.

Se por acaso o investidor tiver aplicações em mais de um banco, estará coberto em até R$ 1 milhão por CPF/CNPJ, obedecendo a regra de R$ 250 mil por conglomerado financeiro em um período de quatro anos.

Segurança, disponibilidade e boa rentabilidade. Mais de 160 anos depois, em pleno século 21, com a tecnologia em constante evolução, precisamos nos atualizar, ampliar nossos horizontes e usufruir de novas oportunidades de investimento — certamente mais rentáveis do que a senhora caderneta de poupança.

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