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Reino Unido se junta a acordo de livre-comércio transpacífico, maior desde o Brexit

Cliente faz pagamento em libras esterlinas em uma loja de Londres, no Reino Unido - Susannah Ireland/AFP
Cliente faz pagamento em libras esterlinas em uma loja de Londres, no Reino Unido Imagem: Susannah Ireland/AFP

31/03/2023 11h14Atualizada em 31/03/2023 11h14

O governo do Reino Unido anunciou, nesta sexta-feira (31, noite de quinta em Brasília), que finalizou as negociações para fazer parte do Tratado Integral e Progressista de Associação Transpacífico (CPTPP), seu maior acordo comercial desde o Brexit.

Assim, após 21 meses de negociações, o Reino Unido se torna o 12º membro e o primeiro país europeu a fazer parte do CPTPP, que somará um Produto Interno Bruto (PIB) de 13,6 trilhões de dólares, anunciou o governo britânico em comunicado.

Com a inclusão do Reino Unido, o bloco contará agora com 500 milhões de habitantes e 15% do PIB mundial.

O governo britânico destacou que sua adesão não teria sido possível se o país ainda fosse membro da União Europeia (UE) e elogiou a forma na qual o Reino Unido está "aproveitando as oportunidades" de suas "novas liberdades comerciais pós-Brexit".

Até agora, o CPTPP era formado por 11 países da região Ásia-Pacífico: Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Singapura e Vietnã.

Mais de 99% das exportações britânicas de bens aos países do CPTPP estarão livres de tarifas, detalhou o governo do primeiro-ministro Rishi Sunak, citando produtos-chave como queijos, automóveis, chocolates, máquinas e equipamentos, gim e uísque.

O setor de serviços também se beneficiará de uma burocracia reduzida.

"Este acordo demonstra os benefícios econômicos reais de nossas liberdades pós-Brexit", disse o premiê Sunak.

A adesão ao CPTPP "coloca o Reino Unido no centro de um grupo de economias do Pacífico dinâmicas e em crescimento", acrescentou o chefe de governo em comunicado. "As empresas britânicas terão agora um acesso sem concorrência a mercados da Europa até o Pacífico Sul".

Sem Estados Unidos

A ministra britânica de Comércio, Kemi Badenoch, destacou os benefícios em matéria de emprego para as empresas de seu país e um acesso mais amplo à região Ásia-Pacífico, de onde se espera que proceda "a maior parte do crescimento mundial".

O Reino Unido e os países do CPTPP ainda devem finalizar os trâmites legais e administrativos antes da assinatura formal este ano.

Desde a sua saída efetiva da UE e do mercado comum europeu em 1º de janeiro de 2021, o Reino Unido vem buscando acordos comerciais em todos os âmbitos para impulsionar seu comércio internacional.

Londres negociou acordos comerciais com a UE e outros países europeus, assim como com nações mais distantes, como Austrália, Nova Zelândia e Singapura. Também há negociações em curso com Índia e Canadá.

Por outro lado, o tão esperado acordo com os Estados Unidos foi adiado e as negociações com Washington estão paralisadas.

O CPTPP é o acordo de livre comércio mais importante da região do Pacífico.

Em 23 de janeiro de 2017, o então presidente americano Donald Trump anunciou a retirada de seu país do acordo, do qual fazia parte inicialmente, inclusive antes de sua entrada em vigor, que acontece de forma escalonada desde dezembro de 2018.

O Reino Unido havia solicitado sua adesão ao CPTPP em fevereiro de 2021 e as negociações começaram em setembro daquele ano.