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Arábia Saudita e Rússia limitam oferta de petróleo

03/07/2023 10h50

A Arábia Saudita prorrogará a redução de sua produção de petróleo em um milhão de barris por dia (bd) para elevar os preços, anunciou o Ministério da Energia nesta segunda-feira (3), mesmo dia em que a Rússia informou que cortará suas exportações em 500.000 bd em agosto. 

Os principais produtores de petróleo estão tentando estabilizar os preços em um mercado volátil, consequência da invasão russa da Ucrânia e da oscilante recuperação econômica da China. 

A Arábia Saudita, peso-pesado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), decidiu no início de junho, no âmbito da Opep+ (os membros do cartel e mais 10 sócios), um novo corte de produção com a esperança de aumentar os preços. 

No caso da Arábia Saudita, esta redução voluntária, que entrou em vigor no fim de semana, continuará em agosto e "pode se prolongar" para além deste período, informou a agência de notícias oficial saudita, que citou uma fonte do Ministério da Energia.

"A fonte confirmou que esta redução voluntária adicional reforça as medidas de precaução tomadas pelos países da Opep+ para apoiar a estabilidade e o equilíbrio dos mercados de petróleo", acrescentou a agência de notícias. 

A decisão significa manter a produção saudita em torno de 9 milhões de barris por dia. 

O ministro da Energia saudita, príncipe Abdelaziz bin Salman, já havia explicado no mês passado, após a reunião da Opep, que o corte era "prorrogável". 

Em abril, vários membros da Opep+ decidiram reduzir voluntariamente sua produção em mais de um milhão de barris por dia, uma decisão surpresa que elevou os preços brevemente, mas não de forma sustentável.

- "Equilibrar o mercado" -

Logo após o anúncio da Arábia Saudita, a Rússia declarou que reduzirá as exportações de petróleo em 500.000 barris por dia em agosto. 

"Como parte dos esforços para equilibrar o mercado, a Rússia reduzirá voluntariamente as entregas aos mercados de petróleo em 500.000 barris por dia em agosto", disse o vice-primeiro-ministro Alexander Novak, citado pelas agências de notícias russas. 

A Rússia já havia anunciado em fevereiro deste ano uma redução da sua produção de petróleo em 500 mil barris por dia, medida que afirmou querer manter até ao final de 2024. 

A decisão anunciada nesta segunda-feira se refere às exportações, não à produção. 

Desde o início do conflito na Ucrânia, Moscou redirecionou suas exportações de energia da Europa para a Índia e a China.

A reação do mercado aos anúncios desta segunda-feira de Arábia Saudita e Rússia, aliados da Opep+, foi relativamente discreta.

O Brent, petróleo de referência na Europa, subiu 0,98%, para US$ 76,15 o barril (R$ 366 na cotação atual), e seu equivalente nos Estados Unidos, o WTI, subiu 1,02%, para US$ 71,36 o barril (R$ 343 na cotação atual), longe das máximas de março de 2022 (quase US$ 140, R$ 664 na cotação da época), quando começou o conflito na Ucrânia. 

No entanto, vários analistas expressaram dúvidas de que esses anúncios tenham um impacto duradouro nos preços. 

"É a reação automática habitual aos anúncios de corte de produção", afirmou Chris Beauchamp, analista do IG. "Mas como esta não é uma decisão coordenada por todos os membros da Opep+, é difícil imaginar que seja um verdadeiro movimento de alta". 

Para Jamie Ingram, analista da MEES, "a Rússia não deve convencer que respeitará totalmente seus últimos compromissos, mas o mais importante é que este é um compromisso público de apoiar a estratégia saudita de gestão dos mercados".

No acumulado do ano, o Brent caiu 11% e o WTI 7%.

A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, busca preços altos para seu petróleo para financiar um ambicioso programa de reformas que pode permitir que sua economia se afaste dos combustíveis fósseis. 

Mas analistas acreditam que o país precisa de um petróleo a US$ 80 o barril (R$ 385 na cotação atual) para equilibrar seu orçamento, um preço bem acima da média dos últimos anos.

rcb/it/pc/mb/aa

© Agence France-Presse