Inflação da Venezuela cai para 193% em 2023, segundo estimativa privada

A inflação na Venezuela caiu para 193% no ano passado, segundo um relatório divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Observatório Venezuelano de Finanças (OVF), entidade independente que serve de referência na ausência de indicadores oficiais. 

O OVF reportou uma inflação de 305% em 2022, enquanto o Banco Central da Venezuela (BCV), que divulga irregularmente estes dados, situou-a em 234%. O BCV ainda não publicou a taxa deste ano. 

A inflação venezuelana, ainda entre as mais altas do mundo, caiu devido a uma menor desvalorização do bolívar, a moeda local, e a uma "política de redução dos salários reais dos trabalhadores", afirmou a OVF em um comunicado. 

O último aumento do salário mínimo, hoje de 3,6 dólares (17,58 reais na cotação atual), foi decretado em maio de 2022, quando equivalia a cerca de 40 dólares (cerca de 188 reais, na cotação da época).

O BCV nem sempre publica dados de inflação todo mês, mas publicou em novembro: 3,5% ao mês e acumulou 182,9% até aquele mês, embora sem especificar a inflação em 12 meses. 

O país superou um período de quatro anos de hiperinflação em 2021, quando registrou 686,4%. 

O indicador começou a diminuir após registrar taxa mensal inferior a 50% e em meio à dolarização. Os especialistas salientam que, para alcançar uma medida mais eficaz, são necessárias políticas profundas. 

O presidente Nicolás Maduro costuma se vangloriar da "recuperação econômica" da Venezuela, que, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), pode ter crescido 4,5% em 2023. Outras empresas privadas, no entanto, revisaram as suas projeções e falam agora de estagnação.

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© Agence France-Presse

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