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Frankfurt, a calma metrópole que pode virar sede do mercado financeiro europeu pós-Brexit

Há décadas que Frankfurt, na Alemanha, é acusada por estrangeiros de ser uma cidade séria, senão chata. Mas a fama é um tanto injusta.

O fato de ser o centro financeiro mais importante da Europa continental realmente faz com que seja desprezada por turistas, estudantes e profissionais estrangeiros, que em geral preferem outras cidades alemãs, como a cosmopolita Berlim, a bela Munique ou a animada Colônia.

A verdade é que Frankfurt tem seus atrativos.

Trata-se, por exemplo, de uma cidade com uma população multicultural e com uma bem-sucedida cena artística. Um em cada três cidadãos não é alemão, e mais de 2 milhões de pessoas passam por seus 60 museus, galerias e monumentos a cada ano, segundo a Prefeitura.

Agora, com o Brexit no horizonte, Frankfurt tem tudo para começar a roubar espaço de Londres - deve se beneficiar da entrada de até 20 mil trabalhadores do setor financeiro que devem ser transferidos para lá por empresas que querem garantir sua presença na União Europeia.

Isso, é claro, caso o Reino Unido perca o acesso ao mercado comum.

Vida lenta

Com a entrada dessa mão de obra qualificada e muito bem remunerada, é muito provável que aumente a demanda por serviços na cidade.

Logo após a vitória do Brexit no plebiscito britânico, em junho, Frankfurt e outros grandes centros europeus, como Amsterdã e Paris, começaram a cortejar bancos sediados em Londres.

Mas a cidade alemã, com sua posição de capital da economia europeia, tem tudo para sair na frente. Ela já abriga a sede do Banco Central Europeu e de alguns dos maiores bancos alemães, como o Deutsche Bank, o Commerzbank, o KfW, e o HypoVereinsbank.

Além disso, tem o terceiro maior aeroporto da Europa, após Londres e Paris.

Outras vantagens são o baixo custo de vida em comparação com a capital britânica, dezenas de museus em plena forma, um clima agradável e opções de lazer na natureza dos arredores.

Ou seja, Frankfurt oferece os confortos da cidade grande ao mesmo tempo em que é pequena o suficiente para evitar longos traslados e para que moradores se sintam parte de uma comunidade.

"É o tipo de lugar que conquista você aos poucos", afirma Jason Peterson, um agente imobiliário americano que vive na Alemanha há mais de 25 anos.

Aluguéis em alta

A maioria dos cidadãos locais concorda que os alemães têm uma grande necessidade de silêncio e tranquilidade, o que explica a enorme quantidade de leis que proíbem barulho e o fechamento do comércio aos domingos, algo comum em outros países europeus.

O lado bom disso é que é mais fácil se desligar do trabalho nas horas de folga.

Em vez de ficarem plugados 24/7, os moradores curtem os cafés da cidade, passeiam às margens do rio Meno ou partem para a cordilheira de Taunus para andar de bicicleta e depois tomar uma cerveja em algum bar ao ar livre.

O ritmo calmo do fim de semana ainda deixa tempo para que os locais explorem os ótimos museus, entre eles o Museu Staedel, que oferece uma coleção de 700 anos de arte europeia e nomes como Botticelli, Rembrandt, Monet e Picasso.

No verão, os jardins do museu se transformam em cinema a céu aberto.

Frankfurt é generosa até com quem quiser dar um tempo dela: Paris e Amsterdã estão a apenas quatro horas de trem, e o aeroporto fica a apenas 20 minutos do centro.

Mas, como é de se esperar, a popularidade da cidade deve aumentar os preços dos imóveis.

"O mercado está bem concorrido e se movimentando rapidamente", diz Cristina Conesa Carbonell, consultora de recolocação de profissionais.

Hoje, o aluguel do metro quadrado no centro de Frankfurt varia de 13 a 18 euros (R$ 46 a R$ 64), levando um apartamento de três quartos a custar de 1,7 mil a 2 mil euros (de R$ 6 mil a R$ 7,1 mil) por mês.

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