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OPEP apoiará plano da Arábia Saudita para manter oferta alta, segundo analistas

Grant Smith e Maher Chmaytelli

27/05/2015 14h12

(Bloomberg) - Quando a Arábia Saudita argumentar na semana que vem que a OPEP deveria manter a produção a fim de combater o aumento dos níveis de petróleo de xisto nos EUA, os preços estarão do lado dela.

O petróleo bruto despencou em oito das nove semanas que antecederam a reunião do grupo em novembro, quando o reino enfrentava a oposição da maioria dos países-membros, que defendiam a redução da produção para combater o excedente mundial. Como as petroleiras do mundo inteiro estão diminuindo os investimentos, a produção dos EUA está chegando ao pico e os preços estão aumentando, a estratégia da Arábia Saudita será prolongada na reunião semestral da OPEP no dia 5 de junho, dizem o Société Générale SA e o Bank of America Corp.

Os preços do petróleo se recuperaram mais de 40 por cento em relação ao valor mais baixo em seis anos, registrado em janeiro, já que a produção dos EUA está se afastando do patamar máximo em mais de quatro décadas. A recuperação ajudará a justificar a abordagem adotada pela Arábia Saudita enquanto o país guia a Organização de Países Exportadores de Petróleo a preferir a participação no mercado em detrimento dos preços no intuito de expulsar os produtores com custos altos.

"Os sauditas provavelmente sintam que sua estratégia está funcionando e têm razão", disse Francisco Blanch, diretor de pesquisa sobre commodities do Bank of America, em entrevista por telefone de Nova York. "Há uma queda significativa na quantidade de torres de perfuração ativas nos EUA e uma enorme redução no dispêndio de capital. Isso é um sinal de que a estratégia está funcionando".

Resistência persistente

Na reunião da OPEP em 27 de novembro, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e o Catar rejeitaram objeções a seu plano feitas pelos outros oito países-membros - em particular o Irã, a Venezuela e a Argélia. Embora possa haver resistência na conferência de 5 de junho, 33 dos 34 analistas e traders consultados pela Bloomberg disseram que a OPEP manterá sua meta de produção diária de 30 milhões de barris, ratificando a estratégia saudita.

"O fato de os preços terem se recuperado de certa forma e parecerem ter saído do fundo do poço é algo que os sauditas poderão destacar em suas discussões", disse Mike Wittner, diretor de pesquisa sobre mercados de petróleo do Société Générale, em entrevista por telefone, de Nova York, em 19 de maio. "Outra coisa que eles também poderão destacar é que a produção dos EUA chegou ao limite máximo".

Os futuros do Brent despencaram 33 por cento em relação ao pico registrado no terceiro trimestre de 2014, de US$ 115,71 por barril, por volta do começo da reunião da OPEP em novembro, e prolongaram as perdas para US$ 45,19 em 13 de janeiro. O barril fechou a US$ 63,72 no dia 26 de maio. O Bank of America prevê que a média do Brent seja de US$ 62 por barril neste ano, ao passo que o Goldman Sachs Group Inc. estima uma queda para US$ 51 em seis meses.

Consenso desnecessário

O petróleo de xisto dos EUA - extraído mediante a detonação de rochas subterrâneas com líquidos a alta pressão, processo conhecido como fraturamento hidráulico - apresenta uma ameaça mais séria para a OPEP do que as formas anteriores de nova oferta porque pode ser reiniciado mais rapidamente, segundo o Goldman Sachs. O número de poços perfurados, mas ainda não processados - conjunto conhecido como "fracklog" - poderia ajudar a acrescentar 500.000 barris por dia até o fim do ano se os preços se mantiverem em US$ 65, segundo a Bloomberg Intelligence.

Ali Al-Naimi, ministro do Petróleo da Arábia Saudita, o maior e mais influente país-membro da organização, tem enfatizado que a OPEP só reduziria a produção se outros produtores compartilhassem a responsabilidade de equilibrar o mercado.

A ausência de um acordo mais amplo não preocupará os países-membros mais ricos da OPEP no Golfo Pérsico, já que sua atual abordagem está dando os primeiros sinais de sucesso no controle da oferta rival, segundo o Bank of America e o Société Générale.

"Por que os sauditas mudariam de rumo agora que a estratégia deles está começando a render frutos?" disse Wittner, do Société Générale. "Haverá oposição dentro da OPEP? Sem dúvida. Isso fará alguma diferença? Sem dúvida não".

Título em inglês: 'OPEC Seen Backing Saudi Arabia's Plan to Keep Supplies Elevated'

Para entrar em contato com os repórteres: Grant Smith, em Londres, gsmith52@bloomberg.net; Maher Chmaytelli, em Paris, mchmaytelli@bloomberg.net

Economia