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Avago dá primeiro passo para as próximas grandes transações no setor de tecnologia

Brooke Sutherland, Alex Sherman e Ian King

29/05/2015 14h28

(Bloomberg) - A aquisição da Broadcom Corp. pela Avago Technologies Ltd. representa a maior transação da história do setor de tecnologia. Talvez ela não dure muito no topo.

A transação de US$ 37 bilhões, anunciada na quinta-feira, ofusca a antiga detentora do recorde - a compra da First Data Corp. em 2007 por quase US$ 30 bilhões, incluindo dívidas.

Como o crescimento superalimentado que o setor vivenciou no passado está desaparecendo em alguns lugares, os investidores estão recompensando as empresas por buscarem aquisições. Os compradores podem se permitir o gasto: as pilhas de dinheiro estão aumentando, as taxas de juros continuam baixas e as avaliações em alta das ações lhes dão uma moeda forte para fazer negócios.

Talvez a aquisição da Broadcom seja apenas o começo das superfusões no setor de tecnologia, não apenas entre fabricantes de semicondutores, mas também em hardware e software para empresas e até internet.

"Quando um mercado se expande e cresce nessa proporção, não há motivos para procurar alvos de aquisição", disse Chris Geier, sócio responsável pelo escritório de investment banking da Sikich LLP, em entrevista por telefone. "Esse setor está amadurecendo, está mais difícil crescer e as margens estão diminuindo. É então que se começa a observar uma consolidação".

Em busca de oportunidades

A Intel Corp., a Qualcomm Inc., a Altera Corp., a Analog Devices Inc., a Maxim Integrated Products Inc., a Texas Instruments Inc. e a Microchip Technology Inc. - que decidiu adquirir a Micrel Inc. neste mês - estão considerando oportunidades para fazer transações, disse uma fonte do setor. Especula-se que o Twitter Inc. seja um alvo almejado por várias empresas, entre elas o Google Inc.

A aquisição planejada pela Avago da Broadcom faz de 2015 um ano recorde para as transações no setor de semicondutores - e ainda estamos em maio -. A transação com a Broadcom poderia crescer ainda mais. A Qualcomm e a Intel podem competir como ofertantes, disse Srini Pajjuri, analista da CLSA em São Francisco.

Candidatos rivais poderiam oferecer de US$ 60 a US$ 65 por ação pela Broadcom, disse ele. Conforme os termos da oferta da Avago, os investidores da Broadcom podem escolher entre receber US$ 54,50 por ação à vista, em ações ou em uma combinação de ambas as formas. A Broadcom encerrou a quinta-feira com uma avaliação de US$ 56,25.

Obstáculo

Um obstáculo para as grandes transações no setor de tecnologia tem sido a estrutura de gestão. Em muitas companhias, o fundador também é o CEO e não está interessado em ceder o controle da empresa. O declínio dos negócios pode mudar essa dinâmica. Para algumas empresas, também se trata de imitar a líder, disse Brad Gevurtz, diretor administrativo do grupo de investment banking da D. A. Davidson Co.

"Todos estão fazendo jogadas estratégicas no tabuleiro de xadrez", disse Gevurtz, em uma entrevista. "As empresas têm que se perguntar: 'Qual a nossa jogada estratégica?'".

O setor de semicondutores em particular está maduro para a consolidação. Há menos empresas capazes de sustentar o alto custo da produção e da inovação constante diante do declínio do crescimento. Até os produtores que terceirizam a fabricação industrial incorrem em gastos para criar chips cada vez mais complexos. E todos enfrentam a crescente concorrência de seus clientes, como a Apple Inc. e a Samsung Electronics Co.

Embora as cotações mais altas estejam encarecendo os alvos, o atual ambiente de taxas de juros baixas ajuda os compradores.

"Os conselhos e a gestão estão bem cientes de que o custo de capital será bem mais alto daqui a dois ou três anos", disse Craig Ellis, analista da B. Riley Co., em entrevista por telefone. "Talvez seja possível conseguir uma avaliação melhor daqui a dois ou três anos, mas o custo de capital poderia compensar isso".

Título em inglês: 'Big Tech Deals Are Coming as Avago Makes First Move: Real M&A'

Para entrar em contato com os repórteres: Brooke Sutherland, em Nova York, bsutherland7@bloomberg.net; Alex Sherman, em Nova York, asherman6@bloomberg.net; Ian King, em São Francisco, ianking@bloomberg.net

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