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Produtores de xisto começam a ceder à pressão da OPEP

Dan Murtaugh

28/12/2015 16h55

(Bloomberg) - Em 2015, as empresas de fracking que salpicam as planícies americanas ricas em petróleo usaram tudo o que tinham com um petróleo bruto a US$ 50 por barril. Para enfrentar a queda de 50 por cento nos preços, eles demitiram milhares de trabalhadores, concentraram suas torres exclusivamente nos poços que mais rendiam e empregaram tecnologia de ponta para extrair todo o petróleo possível de cada poço.

A maioria dessas iniciativas, para a surpresa de muitos observadores, foi bem-sucedida. Neste mês, a produção de petróleo dos EUA se manteve a 4 por cento do valor mais alto em 43 anos.

O problema? O petróleo já não está mais a US$ 50. Agora é negociado a cerca de US$ 35.

Para um setor que já estava no limite de sua economia de custos, os novos declínios constituem um golpe devastador. Esses perfuradores "não estão feitos para sobreviver a um petróleo na casa dos US$ 30", disse R.T. Dukes, analista sênior do setor prévio ao refino ("upstream") para a Wood Mackenzie Ltd. em Houston.

Agora, a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês) prevê uma diminuição recorde da produção de 570.000 barris por dia em 2016. Isso é precisamente o que a OPEP tenta conseguir inundando o mundo de petróleo, o que diminui os preços e pressiona os produtores mundiais com custos altos. É uma estratégia de alto risco, cujo sucesso dependerá em última instância de que os perfuradores de xisto se retirem antes que as dificuldades financeiras dentro dos próprios países-membros da OPEP se tornem muito grandes.

Iniciativas

Os preços do petróleo subiram quando o rápido crescimento econômico do mundo no começo da década de 2000 impulsionou a demanda por energia, tornando rentável a perfuração de xisto. A produção deu um salto de mais de 60 por cento desde o fim de 2010.

O aumento da produção coincidiu com uma desaceleração do ritmo do crescimento. Quando a oferta superou a demanda, os preços caíram de US$ 100 para US$ 70 e após a decisão da Organização de Países Exportadores de Petróleo de continuar extraindo a níveis quase recordes, para US$ 30.

Os produtores cortaram gastos e pararam mais de 60 por cento das torres nos EUA. Eles perfuraram e realizaram o fracking mais rapidamente, ou seja, menos torres e trabalhadores podiam fazer o mesmo número de poços. Eles se concentraram nas melhores áreas que tinham e empregaram mais areia e água no processo de fracking para que de cada poço jorrasse mais petróleo bruto. Por volta de abril, quando o número de torres tinha caído pela metade, a produção continuava aumentando.

Prejudicados

Os produtores de xisto não são os únicos prejudicados. A estratégia da OPEP está causando problemas para seus países-membros. A Arábia Saudita está considerando vender participações em empresas estatais para ajudar a frear um déficit orçamentário que chegou a 20 por cento da economia do país, segundo fontes do setor. O ministro do Petróleo da Venezuela, Eulogio del Pino, disse que o setor está "às portas de uma catástrofe" se a produção de petróleo bruto ultrapassar a capacidade de armazenamento.

"A maioria das empresas entrou no modo de diminuição e diz que a meta é se manter estável e sobreviver a esse mercado", disse Raoul LeBlanc, analista da IHS Inc. em Houston. "O preço atual é insustentável. Infelizmente, temos que sustentá-lo por mais algum tempo".

Título em inglês: 'Shale's Running Out of Survival Tricks as OPEC Ramps Up Pressure'

Para entrar em contato com o repórter: Dan Murtaugh, em Houston, dmurtaugh@bloomberg.net

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