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Fundos estrangeiros perdem paciência com intervenção na China

Ye Xie e Bonnie Cao

(Bloomberg) -- Os últimos esforços da China para resgatar seu mercado acionário estão afastando alguns dos maiores investidores do mundo.

As autoridades chinesas retomaram as intervenções no mercado de US$ 6,5 trilhões nesta semana. Fundos do governo compraram ações na terça-feira e a reguladora do mercado de títulos sinalizou que a proibição às vendas por grandes investidores continuará em vigor depois da data de término de 8 de janeiro, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. As medidas para combater um selloff de 7 por cento no início de 2016 surgem após uma intervenção sem precedentes adotada para impulsionar as ações durante uma queda de US$ 5 trilhões no verão.

Embora as manobras possam estabilizar o mercado temporariamente, elas são desnecessárias porque a intervenção cria distorções de preço e gera risco moral com traders passando a ver o governo como uma barreira para as ações, segundo a UBS Wealth Management, a Henderson Global Investors e a Wells Fargo Funds Management. Com a ação média das bolsas chinesas sendo negociada pelo valor mais elevado entre os principais mercados, todos os sete estrategistas e gerentes de fundos consultados pela Bloomberg no mês passado disseram que acreditavam que os órgãos reguladores deixariam que a restrição de seis meses às vendas expirasse.

"Estou decepcionado por eles continuarem usando esses tipos de controles quantitativos", disse Jorge Mariscal, diretor de investimentos da UBS Wealth Management para mercados emergentes, que administra US$ 1 trilhão, por telefone, de Nova York. "Esses tipos de medidas vão ser um tiro pela culatra".

O governo retomou a intervenção nesta semana após a queda de US$ 590 bilhões provocada por dados industriais fracos e pelo temor dos investidores locais de que o fim da proibição às vendas pesasse sobre o mercado.

A Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China pediu verbalmente às bolsas que informassem às empresas listadas de que a proibição continuaria em vigor até a introdução de uma nova regra para restringir as vendas, disseram pessoas com conhecimento das considerações políticas, que pediram anonimato porque a informação não foi revelada ao público. As empresas listadas foram encorajadas pelos órgãos reguladores a emitirem comunicados dizendo que estão dispostas a interromper essas vendas, disseram.

Introduzida em julho, durante o auge da queda de US$ 5 trilhões, a proibição sobre as vendas foi aplicada a investidores com patrimônios que excediam 5 por cento das ações de uma única empresa, juntamente com executivos e diretores corporativos. A restrição bloqueou cerca de 1,1 trilhão de yuans (US$ 169 bilhões) das participações, segundo o Goldman Sachs.

Saídas de recursos

O cancelamento da proibição terá um impacto limitado sobre o mercado porque nem todos os grandes acionistas precisam reduzir suas participações, disse Deng Ge, porta-voz do órgão regulador, em um comunicado na terça-feira. Nos últimos anos, cerca de 60 por cento das vendas de ações de grandes detentores foram feitas por meio de negociações em bloco ou acordos de transferência, que têm um impacto menor sobre o mercado, disse ele. O órgão regulador em breve anunciará um mecanismo melhorado para que os investidores reduzam grandes participações, acrescentou Deng.

O índice Shanghai Composite fechou em alta de 2,3 por cento na quarta-feira, enquanto o índice Hang Seng China Enterprises caiu 0,9 por cento em Hong Kong.

Até esta semana, o governo vinha removendo as medidas de apoio ao mercado impostas durante a queda das ações do ano passado, incluindo a retomada dos IPOs em dezembro. As autoridades disseram que os mercados mais livres são indispensáveis para seus planos de tornar o crescimento do país mais sustentável. Eles também tem trabalhado para atrair investidores estrangeiros para que ajudem a profissionalizar um mercado no qual os investidores individuais respondem por mais de 80 por cento das negociações.

Esses esforços têm sido parcialmente frustrados pela intromissão do Estado. Os investidores internacionais venderam cerca de 51 bilhões de yuans (US$ 7,8 bilhões) em ações em Xangai desde que a China aumentou sua intervenção no início de julho, segundo dados compilados pela Bloomberg. Os investidores sacaram 463 milhões de dólares de Hong Kong (US$ 60 milhões) dos dois maiores fundos negociados em bolsa que monitoram ações da porção continental do país em Hong Kong em dezembro após retirarem 5,4 bilhões de dólares de Hong Kong durante o mês anterior, mostram dados compilados pela Bloomberg.

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