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México não deve acompanhar Fed na alta de juros em 2016, diz banco

Eric Martin

(Bloomberg) -- Um dia depois que o Fed elevou os juros nos EUA pela primeira vez em nove anos, o México seguiu o exemplo e também aumentou sua taxa.

Apesar da taxa de inflação mais baixa em meio século e do crescimento econômico lento, o México deixou claro que agiria rapidamente para preservar sua vantagem na taxa como forma de atrair e manter os investimentos estrangeiros. Com a decisão, os analistas projetam que o México se movimentará em sincronia com os EUA neste ano, elevando os custos dos empréstimos em 0,75 ponto percentual.

Mas para Carlos Capistran, do Bank of America, o México vai traçar seu próprio caminho em 2016. O país elevará os juros em apenas meio ponto percentual neste ano, para 3,75 por cento, porque fatores econômicos locais, como a inflação, prevalecem sobre o Fed, disse ele. Capistran, o analista mais preciso de inflação do México segundo a Bloomberg, prevê que o custo de vida terminará o ano com alta de 3,5 por cento, dentro do intervalo da meta do banco central.

"O Banxico poderá encontrar algum espaço no ano para aumentar menos que o Fed", disse Capistran, da Cidade do México. "Houve algo diferente no primeiro aumento; houve um certo nervosismo com o primeiro depois de tantos anos apenas seguindo o Fed".

Ricardo Medina, porta-voz do banco central do México, preferiu não comentar as expectativas para a política monetária.

Os diretores do banco central votaram por unanimidade no mês passado pelo aumento dos juros pela primeira vez desde 2008, da mínima recorde de 3 por cento para 3,25 por cento. Eles disseram que não reagir ao aumento do Fed poderia levar a um selloff desordenado da moeda do país, gerando uma inflação maior.

Mínima recorde

O peso teve uma desvalorização de 15 por cento no último ano e atingiu mínima recorde no mês passado. O banco central gastou mais de US$ 24 bilhões em 2015 para apoiar a moeda em meio ao temor de que uma vantagem menor na taxa em relação aos EUA pudesse levar os investidores a retirarem fundos da segunda maior economia da América Latina.

Estrangeiros possuem 59 por cento da dívida soberana de taxa fixa do México.

Manter as taxas baixas proporcionaria um estímulo econômico em um momento em que a demanda por exportações é fraca e o governo está cortando gastos após a queda do petróleo, disse Capistran.

Crescimento das exportações

As exportações, excluindo o petróleo, cresceram apenas 1,5 por cento no ano passado até novembro, menor alta desde 2009. Historicamente o petróleo responde por um terço da receita federal do México, embora essa relação tenha encolhido no ano passado para 19 por cento em meio à queda da produção e dos preços.

O Goldman Sachs também espera que o México eleve menos as taxas do que o Fed em 2016.

Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman para a América Latina, diz que o México elevará sua taxa básica em 0,75 ponto percentual neste ano, contra um aumento de 1 por cento dos EUA.

"Observando a realidade doméstica, com a inflação em uma mínima recorde, uma economia que ainda está se recuperando, não vemos uma necessidade óbvia do México acompanhar o Fed", disse Ramos, de Nova York. "Eles podem ter um pouco de espaço para fazer menos".

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