Brasil pode ter 2ª pior recessão entre 93 países, à frente só da Venezuela

Andre Tartar, Catarina Saraiva e Cynthia Li

(Bloomberg) -- Para as economias de pior desempenho do mundo, nada de bom está por vir para melhorar após as resoluções de ano novo. Para muitas delas, 2016 trará apenas mais decepções, dizem economistas consultados pela agência de notícias Bloomberg.

Rica em petróleo, a Venezuela terá uma contração de 3,3% neste ano, a pior projetada para qualquer um dos 93 países analisados, seguida do Brasil, que teve o selo de bom pagador retirado por duas agências de classificação de risco, da endividada Grécia e da Rússia, devastada pelas commodities.

As 10 economias que devem ter o pior desempenho em 2016 são: Venezuela, Brasil, Grécia, Rússia, Equador, Argentina, Japão, Finlândia, Croácia e Suíça.

O clube da recessão

O clube no qual ninguém quer entrar tem algumas surpresas. Entre os países com chance de 50% de registrar dois trimestres de contração está Taiwan.

Sua taxa de crescimento anual caiu drasticamente em relação aos 4% do primeiro trimestre de 2015, para menos 0,6% no terceiro trimestre, devido à desaceleração nas exportações para a China.

Mesmo com um crescimento estimado de 1,2% neste ano, a Ucrânia, um dos países com pior desempenho do ano passado, ainda está em risco. Os economistas classificam sua chance de recessão nos próximos 12 meses em 60%, a terceira maior, empatada com a Argentina.

América Latina

A perspectiva é sombria para a Venezuela: da escassez de produtos básicos como medicamentos ao colapso do preço do petróleo, que responde por 95% das exportações do país, a Venezuela está vendo um terceiro ano seguido de PIB (Produto Interno Bruto) negativo.

O fato de o partido de oposição assumir o controle do Congresso pela primeira vez em 16 anos oferece aos investidores um vislumbre de boas notícias.

A situação não é muito melhor em outras partes do continente. A projeção para o PIB do Brasil em 2016 combinada com a queda do ano passado coloca o país em sua recessão mais profunda desde 1901, pelo menos. Duas importantes agências de classificação já rebaixaram o país para o grau especulativo.

Ao lado, na Argentina, o presidente recém-eleito Mauricio Macri está conduzindo o país em uma nova direção para evitar uma catástrofe econômica e a queda do PIB neste ano.

Empossado no mês passado, ele já começou a implementar as medidas para estimular o crescimento e a frear o déficit fiscal do país.

Europa

A Grécia não foi expulsa da zona do euro e conseguiu recapitalizar seu setor bancário em dificuldades, mas 2016 ainda está cheio de desafios.

A economia vai encolher 1,8%, tornando muito mais difícil de pagar as centenas de bilhões de dólares que ainda deve e será difícil conseguir uma redução da dívida. Para piorar, o país enfrenta pressão nas fronteiras com os imigrantes que fogem da violência na Síria.

A Rússia vai permanecer em território negativo após uma contração de cerca de 3,6% nos primeiros nove meses do ano passado, mas também deixará para trás aquela que provavelmente será sua recessão mais longa em mais de duas décadas.

As sanções dos Estados Unidos e da União Europeia, assim como os preços baixos do petróleo, que responde por 40% das receitas do governo, tiveram seu preço.

A Finlândia e a Suíça também compõem a lista com as estimativas dos dez países com pior desempenho em 2016. A primeira sofre com sua proximidade geográfica e com a dependência econômica da Rússia e a segunda ainda está se recuperando de uma decisão surpresa do banco central de eliminar o limite de câmbio, o que prejudicou as exportações e o turismo.

Ásia

Punido pela deflação (o contrário da inflação, ou seja, queda dos preços), o Japão deverá crescer 1% neste ano, ficando atrás de muitos de seus vizinhos que compõem a lista com a projeção dos países de melhor desempenho de 2016.

O gabinete de governo recentemente aprovou um orçamento recorde para o próximo ano fiscal, apostando que o estímulo fiscal e a reforma do mercado de trabalho vão impulsionar o crescimento.

As projeções atuais são a estimativa mediana para cada país da última pesquisa realizada entre outubro e dezembro de 2015. O número total de 93 economias foram pesquisados. 

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