Caos no mercado chinês permite ganhos de fundos hedge focados

Klaus Wille e Bei Hu

(Bloomberg) - Em um ano brutal para gestores de fundos hedge de alto perfil como Bill Ackman e David Einhorn, selecionadores de ações menos famosos focados na China se destacaram por seu desempenho estelar.

Gestores focados na China apostando na subida e queda de ações tiveram retornos de 11 por cento em 2015, superando tanto o Shanghai Composite Index quanto o indicador de ações de Hong Kong por uma ampla margem, enquanto os fundos norte-americanos quase não ultrapassaram os índices de referência e os europeus ficaram para trás, de acordo com Eurekahedge Pte. Estrelas incluíram Hao Capital Management, com escritórios em Hong Kong e Xangai, cujo fundo hedge de US$ 268 milhões aumentou 135 por cento até novembro.

Para justificar seus honorários, os gestores de fundos hedge precisam entregar desempenhos espetaculares em relação às referências - mesmo em um mercado que está tomado por vários fundos de alto perfil. Ao contrário de seus pares na Europa e nos EUA, os fundos hedge que investem na China foram capazes de explorar um mercado que tem uma maior dispersão entre as ações de melhor e pior desempenho. E apesar de oscilar de um extremo ao outro, nove em cada 10 ações do índice Shanghai Composite subiram em 2015, ajudando os gestores a evitar grandes perdas. Este ano vai proporcionar mais um teste para a capacidade dos gestores de lidar com a volatilidade, com pelo menos dois fundos focados na China divulgando grandes perdas durante o começo tumultuado de 2016.

"O mercado de ações da China é precificado de modo menos eficiente", disse Grace Lu, que administra o GH China Century Fund, em Cingapura. "Se você é um bom selecionador de ações, tem mais oportunidades de escolher as boas em comparação com a Europa e a América do Norte", disse Lu, cujo fundo cresceu 18 por cento no ano passado.

Grande impacto

As grandes diferenças entre os retornos superiores e inferiores de ações individuais na China significam que uma boa seleção de ações pode ter um grande impacto. O retorno mediano do decil superior das 1.112 empresas negociadas em Xangai foi de 150 por cento em 2015, enquanto a mediana para o decil inferior foi um declínio de 35 por cento, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Isso se compara com uma mediana de 39 por cento de retorno para o grupo superior correspondente no índice Standard Poor's 500, e uma queda mediana de 43 por cento.

Para muitos gestores norte-americanos, 2015 foi um ano ruim. O fundo hedge Greenlight Capital de Einhorn, com sede em Nova York, caiu 20 por cento em 2015, o segundo ano de perdas em quase 20 anos de história. Pershing Square Holdings Ltd. de Ackman caiu 20,5 por cento em 2015, enquanto os fundos geridos pela Fortress Investment Group LLC e BlackRock Inc. fecharam.

Início complicado

A volatilidade do mercado está trabalhando contra alguns fundos hedge que investem na China neste ano, em meio a um começo difícil para o mercado de ações do país. O Shanghai Composite Index caiu quase 15 por cento até agora em 2016, tornando-se o indicador de ações de pior desempenho monitorado pela Bloomberg. Os temores de uma desaceleração na China se espalharam pelo mundo, com uma onda de vendas eliminando mais de US$ 5 trilhões entre valores de participação globais neste ano.

Springs, APS

O Springs China Opportunities Fund ganhou 29 por cento no ano inteiro, de acordo com uma atualização enviada aos investidores. Springs administrava cerca de US$ 5,5 bilhões em fundos destinados a investidores chineses e internacionais em novembro. Ações classe A contribuíram com a maior parte do desempenho do Springs China Opportunities Fund do ano passado, disse Jenny Tian, sócio-gerente de Hong Kong. Neste ano, o fundo caiu 9,8 por cento até 8 de janeiro, de acordo com uma atualização aos investidores.

Aumento dos ADRs

Os gestores também se beneficiaram no ano passado com apostas inteligentemente cronometradas em American Depositary Receipts de empresas chinesas na última parte do ano. O Bank of New York Mellon China ADR Price Index, que acompanha as empresas da China e de Hong Kong negociadas na Bolsa de Nova York e na Nasdaq, saltaram 16 por cento nos últimos três meses do ano, depois de quedas de mais de 30 por cento desde o ponto mais alto em abril.

Alguns fundos lucraram com as oscilações dos preços de ADRs de empresas chinesas de tecnologia, incluindo Alibaba Group Holding Ltd., Baidu Inc., Qihoo 360 Technology Co. e Ctrip.com International Ltd. Baidu, a empresa chinesa de busca na internet, viu seus ADRs despencarem 42 por cento, chegando ao valor mais baixo em setembro do ano passado, para depois aumentarem 43 por cento no fim de dezembro em meio a consolidações na indústria e um lucro melhor que o esperado. As ADRs da Alibaba caíram quase 45 por cento, chegando ao preço mais baixo em setembro do ano passado, antes de uma recuperação de 42 por cento.

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