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Receita da Google com Android é de US$ 31 bi, diz Oracle

Joel Rosenblatt e Jack Clark

(Bloomberg) - O sistema operacional Android, da Google, gerou uma receita de US$ 31 bilhões e US$ 22 bilhões em lucros, disse uma advogada da Oracle no tribunal enquanto revelava números que, segundo a Google, não deveriam ter sido divulgados publicamente.

Uma análise das informações financeiras estritamente guardadas da gigante das buscas na internet foi revelada no dia 14 de janeiro por uma advogada da Oracle na ação em que a fabricante de banco de dados acusa a Google de ter usado sem pagar o software Java para desenvolver o Android. A Google disse em um documento judicial que a advogada baseou sua declaração em informações derivadas de documentos financeiros internos e confidenciais da companhia.

"Veja a enorme magnitude da capacidade de comercialização aqui", disse a advogada da Oracle, Annette Hurst, ao juiz federal enquanto falava sobre as receitas e os lucros do Android, que nunca foram divulgados publicamente.

O Android, lançado em 2008, gera dinheiro para a Google de dois modos: propagandas fornecidas pela Google que são exibidas nos telefones Android e a receita que a Google recebe da loja de aplicativos móveis, a Google Play.

O montante se baseia em uma metodologia que não foi explicada pela Oracle, disse uma pessoa com conhecimento do assunto que não tinha autorização para se pronunciar publicamente.

'Altamente sigilosas'

A Google pediu ao juiz federal de São Francisco, no dia 20 de janeiro, para redigir e lacrar trechos da transcrição pública da audiência da semana passada, alegando que a advogada da Oracle divulgou indevidamente "informações altamente sigilosas" de documentos sinalizados como de uso exclusivo dos advogados.

"A Google não separa publicamente as receitas nem os lucros do Android do restante dos negócios da Google como um todo", disse a companhia no documento. "Essas informações financeiras não são públicas e são altamente sigilosas e a divulgação pública poderia ter efeitos negativos significativos sobre as transações da Google".

Deborah Hellinger, porta-voz da Oracle, não quis comentar as revelações feitas no tribunal.

A transcrição despareceu completamente dos registros eletrônicos do processo por volta das 15 horas, horário do Pacífico (PST), sem nenhum indício de que o tribunal tivesse decidido a favor do pedido da Google de lacrá-la.

O confronto entre a Google e a Oracle, que já leva cinco anos, voltou às mãos do juiz distrital dos EUA William Alsup, em São Francisco, depois de ter passado pelo Supremo Tribunal dos EUA, onde a Google fracassou em uma tentativa de impedir o processo. A indenização buscada pela Oracle agora poderia ser de mais de US$ 1 bilhão, pois a companhia ampliou as acusações a fim de abranger as mais novas versões do Android.

Java

A Oracle quer utilizar as informações financeiras da Google para mostrar que a companhia do motor de busca estava com pressa para usar o software Java a fim de criar o Android e colher lucros com ele. A fabricante de bases de dados também quer vincular o pedido de indenização ao montante que a Google ganhou com o Android - quanto maior a receita, maior será a quantia que a Oracle pode alegar que lhe é devida pela violação de direitos autorais quando o caso for julgado.

Hurst argumentou na audiência do dia 14 de janeiro que durante o período em que o Android foi desenvolvido o tempo era essencial porque a Google estava em uma "corrida espacial" com a Apple e "praticamente empatada" com a plataforma iOS, da fabricante do iPhone, quando os usuários começavam a entrar em contato com ambos os sistemas operacionais. A advogada mencionou o depoimento de um engenheiro da Google, que disse que todas as alternativas ao software da Oracle "eram uma droga".

Um analista disse que não há detalhes suficientes sobre os montantes de receita mencionados pela Oracle, como qual porcentagem provém de mercados novos em comparação com os mercados estabelecidos e como o valor muda com o tempo, para garantir uma grande reavaliação da empresa.

"A margem não causa tanta surpresa assim", disse James Cakmak, um analista da Monness Crespi Hardt Co.

"Ela proporciona uma base para pensar as perspectivas de monetização da tecnologia móvel para a Google", acrescentou ele. "Ela torna o Android muito mais tangível". Ele tem uma recomendação de compra para a ação.

Título em inglês: 'Google's Android Revenue Put at $31 Billion by Oracle Lawyer (2)'

Para entrar em contato com os repórteres: Joel Rosenblatt, em São Francisco, jrosenblatt@bloomberg.net; Jack Clark, em São Francisco, jclark185@bloomberg.net.

Tradução: Sílvia Ornelas Revisão: Adelina Chaves

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