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Onda de captações no setor de tecnologia gera maior rigor da SEC

Dave Michaels

(Bloomberg) -- A queda das avaliações das empresas de tecnologia depois de abrirem o capital está impulsionando um rigor maior dos órgãos reguladores dos EUA.

A presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), Mary Jo White, expressou preocupação de que algumas corretoras de ações possam estar pintando um quadro otimista demais das empresas privadas de tecnologia. Sempre que há uma mudança "significativa" no valor da empresa após a abertura de capital, surgem questionamentos a respeito do impacto sobre os investidores que adquiriram ações não listadas, disse White na terça-feira.

"É preciso garantir que os promotores mais agressivos não tirem vantagem desse clima", disse ela, em entrevista, após uma palestra em uma conferência sobre títulos, em Coronado, na Califórnia.

Os comentários de White surgem em um momento em que mais investidores estão tentando descobrir formas de injetar dinheiro em empresas do Vale do Silício que estão mantendo seu capital fechado por mais tempo. As startups enfrentam poucas obrigações quanto ao que devem revelar a respeito de suas finanças, mas suas ações estão sendo vendidas a pessoas muito menos experientes que os capitalistas de risco no tocante à avaliação desse tipo de empresa.

'Informação insuficiente'

Os investidores "podem ficar animados demais com uma reportagem ou um blog e investirem seu dinheiro", disse White, no Instituto de Regulação de Títulos. "É preocupante pensar que eles possam não receber informação suficiente ou precisa".

A Square, que abriu seu capital em novembro, atualmente está avaliada em US$ 3,2 bilhões. A cifra é significativamente menor que os US$ 6 bilhões atingidos pela empresa de tecnologia móvel de pagamentos após uma rodada de financiamento privado em 2014. As ações da empresa de armazenamento de arquivos Box caíram 31 por cento desde que começaram a ser negociadas, no ano passado, e o mercado virtual de artesanato Etsy teve um declínio de 54 por cento.

Alguns grandes investidores vêm reconsiderando as avaliações altas aplicadas em algum momento a startups de tecnologia antes mesmo de as empresas abrirem capital. A Fidelity Investments reduziu em 25 por cento o valor contábil de sua participação no aplicativo de compartilhamento de fotos Snapchat no ano passado, a mesma decisão adotada pelos investidores do Dropbox.

A SEC vem investigando separadamente se as corretoras que ajudam os acionistas a se desfazerem de suas ações em empresas privadas poderiam estar violando as leis federais. Em alguns casos, as empresas desenvolveram derivativos que servem como o equivalente financeiro de ações difíceis de vender, uma estrutura que pode não respeitar uma restrição da Lei Dodd-Frank aplicada à venda de swaps baseados em ações para investidores individuais.

Em uma queixa contra um mercado para ações não listadas, de 25 de novembro, a SEC disse que as vendas de ações privadas podem ser ilegais por não contarem com um comunicado de registro e por não serem realizadas por meio de uma corretora regulamentada.

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