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Negociação de Argentina, credores de dívida continua tensa

Charlie Devereux e Katia Porzecanski

(Bloomberg) -- Diferentemente de sua antecessora, o presidente recém-eleito Mauricio Macri retomou as negociações com os credores insatisfeitos da Argentina. Mas, até agora, a aspereza que marcou o impasse que já dura uma década, continua.

Na semana passada, a ministra de Relações Exteriores, Susana Malcorra, acusou o grupo de detentores de bonds liderado pelo bilionário gerente de fundo de hedge, Paul Singer, de retardar o processo para lucrar com os juros acumulados sobre os quase US$ 10 bilhões de dívida em calote que a Argentina diz dever. O comentário surgiu depois que o mediador indicado pela justiça pediu ao governo para adiar a formulação de uma proposta até a semana que começa em 1º de fevereiro e os dois lados estariam em desacordo quanto a se deveriam tornar as negociações públicas.

O ministro das Finanças, Alfonso Prat-Gay, disse em entrevista, em Davos, em 19 de janeiro, que o processo deve ser transparente e que "não será culpa nossa" se as negociações forem paralisadas.

O começo tumultuado sinaliza que as negociações provavelmente serão muito tensas, apesar dos esforços de Macri para se diferenciar da ex-presidente Cristina Kirchner, que prometeu nunca pagar aos credores, a quem chamava de "abutres". Os confrontos também estão atrapalhando um rali dos bonds da Argentina impulsionado pelo otimismo de que Macri resolveria essa disputa que mantém o país fora dos mercados internacionais de dívidas desde 2001.

"A diferença entre Cristina e Macri é de não negociação contra negociação -- mas as negociações não necessariamente são amigáveis", disse Alejo Czerwonko, estrategista para mercados emergentes da UBS Wealth Management. "Eles têm interesses completamente opostos, por isso eles não precisam ser amigos. Eles simplesmente precisam encontrar uma forma de resolver esse problema juntos".

Macri tem se esforçado para enfatizar a diferença entre ele e Cristina, cuja recusa a cumprir uma decisão judicial dos EUA que exigia que a Argentina pagasse seus credores empurrou o país para o segundo calote em 13 anos.

Em entrevista, em 22 de janeiro, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Macri disse que a retórica combativa usada por Cristina "não ajuda" e reconheceu que as exigências dos credores são legítimas. Contudo, ele disse que a Argentina buscaria uma "solução realista, razoável".

"Não aceitamos o nível de penalidade decidida pelo juiz, mas queremos discutí-la", disse Macri. "Queremos acabar com todos os nossos conflitos do passado".

Rejeição a acordo

A Argentina se recusa a assinar um acordo de confidencialidade que impediria as partes de tornarem públicos os detalhes dos seus planos antes de um prazo determinado, disseram duas pessoas com conhecimento do assunto que participaram da reunião, em 14 de janeiro. Esses investidores insatisfeitos não apresentarão sua proposta enquanto a Argentina não assinar o acordo.

Stephen Spruiell, porta-voz da Elliott Management, de Singer, preferiu não comentar sobre as negociações e sobre a proposta.

As autoridades resistem à assinatura do acordo de confidencialidade por causa de uma legislação argentina que impede que o país proponha aos holdouts condições melhores que aquelas que o país ofereceu aos credores nas reestruturações de 2005 e 2010, disse Prat-Gay. O Congresso só se reunirá em março.

"Temos de ser muito cuidadosos em relação ao que podemos e ao que não podemos fazer", disse ele. "Por isso, é melhor que o processo como um todo seja totalmente transparente".

Confidencialidade necessária

Charles Blitzer, um ex-membro do Fundo Monetário Internacional com experiência em assessoria a reestruturações de dívidas soberanas, disse em um comentário publicado no Financial Times, em 22 de janeiro, que as negociações de dívidas do passado devem parte de seu sucesso à confidencialidade entre as duas partes e ao acordo fechado antes da divulgação das informações ao público.

"A necessidade de confidencialidade é óbvia. É impossível ter as negociações necessárias no centro das atenções do público, com o medo de vazamentos para a imprensa ou de ataques de adversários políticos", escreveu ele. "O uso de uma cláusula de confidencialidade é essencial nessa circunstância".

Os preços dos bonds da Argentina em calote com vencimento em 2033 caíram 3,6 por cento desde que tocaram o nível mais alto em nove anos, em 5 de janeiro, mostram dados compilados pela Bloomberg.

"A expectativa era de que haveria esse impulso que levaria a soluções e conquistas em uma sequência bastante rápida", disse Michael Roche, estrategista da Seaport Global Holdings em Nova York.

Título em inglês: In Paul Singer Versus the New Argentina, the Bad Blood Remains

Para entrar em contato com os repórteres: Charlie Devereux em Buenos Aires, cdevereux3@bloomberg.net; Katia Porzecanski em Nova York, kporzecansk1@bloomberg.net Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto, tmarotto1@bloomberg.net Patricia Xavier

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