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Argentina acerta empréstimo de US$5 bi com bancos de Wall Street

Carolina Millan e Katia Porzecanski

(Bloomberg) -- O banco central da Argentina chegou a um acordo com sete bancos de Wall Street para obter um empréstimo de US$ 5 bilhões com o objetivo de fortalecer as reservas antes das negociações com os credores holdout na próxima semana.

O empréstimo de um ano, finalizado na sexta-feira, será garantido por títulos soberanos, de acordo com um comunicado enviado por e-mail pelo banco central.

A Argentina tem procurado reforçar as reservas do banco central após anos de controles cambiais e políticas que desestimularam os investimentos e reduziram a reserva de dólares do país. Incapaz de recorrer aos mercados internacionais de bonds por causa da briga que dura uma década com os credores remanescentes do default de 2001, a reserva do país caiu no mês passado para o nível mais baixo dos últimos nove anos. Na próxima semana, representantes do governo começarão a negociar com detentores de alguns títulos inadimplentes que venceram uma ação na justiça dos EUA para receber o pagamento integral.

HSBC, JPMorgan e Santander estão fornecendo US$ 1 bilhão em empréstimos cada um, de acordo com três pessoas que pediram para não ser identificadas porque a informação não é pública. Deutsche Bank, Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, Citigroup e UBS fornecerão US$ 500 milhões cada, disseram as pessoas. A taxa de juros de referência é a Libor, acrescida de 6,15 pontos percentuais, disseram as pessoas.

Assessores de imprensa do Citigroup, Santander, JPMorgan e HSBC não quiseram comentar o empréstimo. BBVA, Deutsche Bank, UBS e o Ministério das Finanças da Argentina não responderam imediatamente ao pedido de comentário. O banco central não quis comentar além do mencionado no comunicado.

'Primeiro passo'

O secretário da Fazenda, Luis Caputo, se reunirá com o mediador da dívida, Daniel Pollack, nos dias 1 e 2 de fevereiro, em Nova York, para começar o processo de abertura de negociações com os credores holdout, de acordo com informações de um funcionário do Ministério. Depois de fortalecer as reservas, as autoridades argentinas terão mais poder de barganha nas negociações, avalia Hernán Yellati, diretor de pesquisa e estratégia do BancTrust & Co.

"Esta é uma boa maneira de aumentar a confiança e elevar as reservas, para que o governo possa negociar com os holdouts sem uma urgência que poderia colocar a Argentina numa situação em que o país precisaria aceitar condições piores", disse Yellati, de Miami. "É um primeiro passo positivo".

As reservas argentinas aumentaram em US$ 4,8 bilhões na sexta-feira, chegando a US$ 30 bilhões, o valor mais alto desde 2 de outubro, de acordo com o comunicado do banco central emitido algumas horas depois do acordo na sexta-feira.

'Realista e sensato'

Em seu primeiro mês no cargo, o presidente Mauricio Macri desfez as políticas postas em prática por seus antecessores, que estrangulavam os investimentos estrangeiros, eliminando os controles cambiais e iniciando as negociações com os credores holdout. Em entrevista à Bloomberg no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Macri disse que pretende chegar a um "acordo realista e sensato" com os holdouts.

"Queremos finalizar todos os nossos conflitos do passado", disse ele.

Os holdouts, que estão tentando limitar a capacidade da Argentina de captar dinheiro no exterior a fim de pressioná-la a cumprir a ordem judicial de pagar sua dívida inadimplente, intimaram o HSBC no final de dezembro para obter informações sobre os esforços do país para arrecadar dinheiro, de acordo com uma pessoa com conhecimento do assunto. O juiz distrital dos EUA, Thomas Griesa, proibiu a Argentina de pagar futuros credores no exterior enquanto não liquidar as dívidas com os holdouts.

 

(Com a colaboração de Ben Bartenstein)

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