Venda de US$ 1 bi em diamantes pode ser demais para mineradoras

Kevin Crowley e Thomas Biesheuvel

(Bloomberg) -- As duas maiores empresas exploradoras de diamantes do mundo acabam de vender US$ 1 bilhão em gemas. Isso está deixando as rivais de menor porte nervosas.

As vendas de janeiro da De Beers e da russa Alrosa PJSC, que controlam quase dois terços do mercado, superaram de longe as expectativas de todos.

Os resultados foram impulsionados pelos cortes na oferta no ano passado que provocaram escassez, reduções de preço e uma demanda melhor que a esperada nas festas de fim de ano.

Mas há quem tema que seja cedo demais para um montante assim em um setor que ainda está se recuperando do maior colapso em sete anos.

"Vai ser muito difícil sustentar a exuberância atual do mercado", disse William Lamb, presidente executivo da Lucara Diamond, que no ano passado descobriu o segundo maior diamante da história. "Muito provavelmente veremos os preços do diamante diminuírem no fim deste ano".

As produtoras menores estão à mercê das duas maiores, cujo domínio do mercado as ajuda a controlar os preços reduzindo a produção ou segurando as vendas.

Cerca de um quarto da oferta global desapareceu no ano passado porque as mineradoras tentaram deter uma queda de 18% nos preços brutos após a desaceleração da China e depois que a crise de crédito do setor limitou a demanda.

Auxiliada por um corte de 7% no preço, a De Beers, de propriedade da Anglo American, vendeu US$ 540 milhões de diamantes em sua primeira venda deste ano, mais de duas vezes sua oferta de dezembro, superando as expectativas dos analistas.

A Alrosa ampliou sua venda de janeiro e registrou aproximadamente o dobro dos US$ 200 milhões a US$ 250 milhões que planejava originalmente.

Cedo demais?

"Janeiro foi um bom começo na estrada para a recuperação, mas é cedo demais para dizer que estamos firmes nessa estrada", disse Stuart Brown, presidente executivo da Firestone Diamonds e ex-diretor financeiro da De Beers. "O tempo dirá. Ninguém é premiado por ser otimista nesse setor".

Os preços das pedras menores da Gem Diamonds caíram 30%, para cerca de US$ 150 por quilate no ano passado, mas subiram cerca de 5% desde então, segundo o presidente executivo Clifford Elphick.

"Este poderia ser um indicador de que está começando a haver um pouco de apetite e de que o declínio foi interrompido", disse ele em entrevista na Cidade do Cabo. "Mas são necessários três ou quatro meses seguidos para poder dizer que há uma tendência".

O ano passado foi doloroso para o setor de US$ 80 bilhões, com os preços registrando a maior queda desde a crise financeira global de 2008. Cortadores, lapidários e investidores disseram que as mineradoras ainda estavam exigindo mais do que muitos poderiam pagar.

Recuperação de mina

Os preços deverão permanecer estáveis neste ano, disse Paul Loudon, presidente executivo da DiamondCorp. A empresa com sede em Londres planeja recuperar no fim deste ano a mina Lace dos anos 1930, na África do Sul, que teria ganho o nome da amante do rei Eduardo VII.

"No início deste ano há uma demanda real das fábricas por [diamantes] brutos", disse Loudon em entrevista na Cidade do Cabo. "Isso não é sustentável. Isso não vai durar o ano todo".

Em dezembro, a De Beers disse que a demanda por diamantes polidos cairia 1% a 2% em 2015, contra um crescimento de 3% um ano antes. No mês passado, a Tiffany diminuiu sua projeção de lucro para o ano cheio e a Chow Tai Fook Jewellery Group, a maior das joalherias, reduziu os planos de expansão.

Os preços serão instáveis, mas começarão a aumentar mais no fim do ano, segundo o UBS Group. A Panmure Gordon também prevê uma recuperação no fim de 2016.

"Ainda precisamos ver o que acontecerá com o ano-novo chinês", que está sendo celebrado nesta semana, disse Brown, da Firestone. "O fluxo de notícias vindo da China às vezes é negativo, às vezes positivo. É muito difícil de entender".

 

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