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Disputas internas na UE dificultam acordo para evitar 'brexit'

Eleni Chrepa, Ian Wishart e Ewa Krukowska

(Bloomberg) -- O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e seus colegas líderes da União Europeia ampliaram os esforços para acabar com o impasse a respeito da reforma da adesão do Reino Unido ao bloco em um momento em que as discussões relacionadas à limitação aos benefícios sociais e à exclusão do euro ameaçavam se arrastar até o fim de semana.

Ainda sem sinal de avanço durante o segundo dia previsto de negociações em Bruxelas, na sexta-feira, foi pedido às delegações dos 28 países que reservassem quartos para uma noite extra para permitir mais deliberações, segundo dois representantes europeus que pediram para não serem identificados porque a informação não é pública.

"Tenho a impressão de que é agora ou nunca", disse o primeiro-ministro belga, Charles Michel, a repórteres, quando questionado sobre as perspectivas de um acordo. "Não há segunda chance".

As negociações ganharam urgência em um momento em que todos os lados reconheceram o interesse comum em ajudar Cameron a buscar um acordo que ele possa apresentar aos eleitores antes do referendo que decidirá a questão da permanência britânica no bloco, programado para junho. O premiê disse mais cedo aos líderes que estava confiante de que poderia ganhar a votação, mas apenas se lhe concedessem o que ele estava pedindo sem diluir as cláusulas, segundo três autoridades europeias com conhecimento da apresentação de Cameron.

Queda da libra

A libra caiu durante o impasse, apresentando um declínio de 0,5 por cento, para US$ 1,4264, às 15h56, horário de Bruxelas, ampliando a desvalorização desta semana para 1,6 por cento. As expectativas para as oscilações do preço da libra em relação ao euro nos próximos seis meses atingiram o nível mais elevado desde 2011.

A França liderou um grupo de países da zona do euro que se opuseram aos planos de Cameron para esculpir uma exclusão da zona do euro pensada para proteger a indústria financeira na Cidade de Londres (distrito financeiro da capital britânica). O primeiro-ministro também enfrentou resistência de estados do Leste Europeu, na quinta-feira, devido às exigências de mais liberdade para impor restrições aos benefícios sociais a cidadãos da UE não-britânicos por meio de um mecanismo de emergência válido por um total de 13 anos.

Essa última disputa estava perto de ser resolvida com a mudança do ponto de atrito para os planos britânicos de limitar os benefícios infantis para famílias de imigrantes, disse a repórteres o ministro-adjunto de relações exteriores da Polônia, Konrad Szymanski.

"Esta é a razão pela qual tudo está sendo atrasado hoje", disse Szymanski. "Não se trata apenas de tensão entre o Reino Unido e a Europa Central, trata-se também de uma tensão entre outros grupos de países".

Maior temor

A iniciativa de Cameron para restringir os pagamentos de benefícios sociais tem por objetivo desencorajar os imigrantes a tirarem vantagem de um sistema de bem-estar social mais generoso que o oferecido por muitos outros países da UE. A imigração é a preocupação mais importante para os eleitores e a questão é central no manifesto do Partido Conservador, do qual ele faz parte.

A razão para o foco na limitação da imigração foi ressaltada por dados divulgados nesta semana que mostraram que o número de pessoas de outros países da UE empregadas no Reino Unido subiu para 2,04 milhões no final de 2015, contra 1,23 milhão cinco anos antes.

Nesta sexta-feira surgiu um novo complicador quando a crise dos refugiados na Europa foi trazida para a discussão. A Grécia sinalizou que estaria disposta a apoiar um acordo do Reino Unido apenas se outros membros da UE parassem de tentar deixá-la de fora fechando sua fronteira norte, segundo Elmar Brok, um representante do Parlamento Europeu que participa das negociações.

"Se os gregos mantiverem esse veto, encerraremos por hoje e teremos que retornar na próxima cúpula para debater, dentro de uma semana", disse Brok, em entrevista à Bloomberg Television. "Se os gregos não agirem em relação a isso, então acho que será possível fechar um acordo e que estamos bastante perto disso". O governo grego negou que estivesse ameaçando aplicar um veto.

Mesmo que as negociações tenham ficado atoladas nos detalhes, outros líderes repetiram o desejo de chegar a um acordo para manter o bloco intacto.

"É por isso que sentimos que ambos os lados têm interesse em chegar a um compromisso", disse o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico. "Eu acredito que no final haverá um acordo".

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