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Empresas de brinquedos já sabem o que seu filho quer de Natal

Polly Mosendz

(Bloomberg) -- "Que gosto estranho", declarou com uma risada Brightlings, uma boneca interativa e inteligente, depois que sua língua digital lambeu a mesa. Brightlings, fabricada pela Spin Master Corp, foi uma das revelações da Feira de Brinquedos de Nova York, em fevereiro, e ela sabia que eu tinha acabado de colocar seu rosto sobre a mesa. Pouco depois, a boneca me convenceria a brincar de novo com ela cantando a plenos pulmões uma música, uma das seis que ela sabe. "Nós a testamos com meninas de quatro a sete [anos] e com as mães. Em todos os meus anos no setor de brinquedos, essa foi a melhor pesquisa que vi", disse Shannon Sackett, diretora de marketing para marcas destinadas às meninas na Spin Master.

As meninas não vão saber da Brightlings, nem da maioria dos brinquedos apresentados por cerca de 1.200 empresas na feira, até o fim do terceiro trimestre, mas isso não interfere muito nos planos de produção para a temporada de fim de ano.

O que as crianças vão querer de Natal é definido com 14 a 18 meses de antecedência por designers, engenheiros, comerciantes, especialistas em tendências e compradores do varejo, disse Adrienne Appell, diretora de comunicações estratégicas da Associação da Indústria de Brinquedos (TIA, na sigla em inglês). Por volta de fevereiro, as grandes redes de lojas já terão feito suas encomendas.

O processo para o Natal de 2016 começou em outubro do ano passado, quando uns 200 fabricantes de brinquedos se reuniram em uma exposição em Dallas para exibir amostras e obter feedback dos compradores. Ajusta-se o pacote de exibição, negociam-se os preços para o varejo, e as tendências começam a surgir. Nesta temporada, a TIA observou uma propensão aos brinquedos voltados para a família, como Brightlings, que visa a apelar a mães e filhas. "Estamos vendo toneladas de produtos diferentes que falam a essa conexão familiar", disse Appell.

Tendência familiar

Essa tendência, apelidada pela TIA de "Questões familiares", apareceu primeiro em Dallas, mas se solidificou na Feira de Brinquedos em fevereiro, a maior exposição comercial do tipo na América do Norte.

Brinquedos para vários participantes, que podem ser desfrutados em família, estavam em alta no ano passado: as vendas de jogos e quebra-cabeças tiveram o crescimento mais acelerado entre todas as categorias de brinquedos, 10,8 por cento maior em 2015 que no ano anterior, de acordo com dados de vendas em lojas coletados pela empresa de pesquisa de mercado NPD Group. As vendas de brinquedos como um todo aumentaram 6,7 por cento em 2015, para US$ 19,4 bilhões.

A ascensão dos brinquedos destinados à família poderia refletir o temor de que as crianças estejam tendo uma overdose de tecnologia. "Os pais estão recuando dos jogos feitos para as telas", disse Gerrick Johnson, analista de brinquedos da BMO Financial Group. "O lema agora é: 'Vá lá fora', 'Venha sentar na mesa da cozinha'. Qualquer coisa que afaste as crianças da tela".

Brincadeira significativa

Os pais mais jovens estão dando prioridade à brincadeira significativa, disse Appell. "Os pais da geração Y estão aderindo à noção de que brincar não é algo frívolo", explicou ela. "Brincar é muito importante. Ajuda as crianças a desenvolver habilidades".

Os novos brinquedos populares não são completamente destituídos de tecnologia. O rosto de Brightlings é uma tela, mas ela existe somente para expressar emoções. Wicked Cool Toys, a empresa por trás da linha de bonecas Repolhinho, também lançou uma boneca com uma tela incorporada ao rosto, chamada Baby So Real, que tem olhos de LCD e bochechas de LED para expressar mais de 20 emoções. Ela pode ser usada de forma independente ou em conexão com um aplicativo. "A tecnologia e a interatividade deram certa diversificação aos brinquedos que tradicionalmente estavam destinados a brincadeiras solitárias", disse Appell. O vencedor do prêmio Brinquedo do Ano, um conjunto de 25 peças veterinárias da Just Play, adota uma abordagem semelhante: há um estetoscópio eletrônico e um raio-X que acende, mas a máquina de eletrocardiograma de brinquedo é "movida a crianças".

Johnson projeta que o mercado de brinquedos crescerá 2,5 por cento neste ano, impulsionado por essa diversificação dos brinquedos voltados para a família, junto com os produtos temáticos de filmes famosos e os itens das áreas Stem (ciência, tecnologia, engenharia, matemática). Para ele, essa taxa é animadora. "Qualquer coisa acima de 2 por cento é hipercrescimento".

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