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Petróleo cai para menos de US$ 30 com estoque maior nos EUA

Mark Shenk e Paul Burkhardt

(Bloomberg) -- O barril de petróleo caiu para menos de US$ 30 em Nova York depois que os estoques de petróleo atingiram o nível mais elevado em mais de oito décadas e a Arábia Saudita e a Rússia propuseram o congelamento da produção em meio ao excesso mundial.

O petróleo West Texas Intermediate chegou a cair 5,6 por cento, eliminando o ganho semanal. Os estoques dos EUA subiram para 504,1 milhões de barris, nível mais elevado desde 1930, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA. O Iraque disse na quinta-feira que apoiará qualquer decisão para apoiar os preços e equilibrar o mercado, sem indicar se limitaria sua própria produção.

"Estamos vendo a continuação do relatório de estoques de ontem", disse Bob Yawger, diretor da divisão de futuros da Mizuho Securities USA em Nova York. "Existe uma batalha relacionada à direção do mercado. Por um lado, está o que pode ser o início de um acordo da Opep para limitar a oferta; por outro, uma notícia muito pessimista sobre armazenagem".

O petróleo está em baixa de cerca de 21 por cento neste ano depois que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo abandonou as metas de produção, no início de dezembro, em meio à ampliação dos estoques dos EUA e em um momento em que o Irã busca expandir suas exportações para reconquistar participação de mercado após o cancelamento das sanções. As empresas estão enfrentando rebaixamentos na classificação de risco e os países produtores de petróleo enfrentam saques maiores que os esperados dos fundos de investimento para cobrir os déficits orçamentários causados pela queda nas receitas do setor de energia.

O WTI para entrega em março, que expira na segunda-feira, caía US$ 1,50, ou 4,9 por cento, para US$ 29,27 o barril, às 10h59 na Bolsa Mercantil de Nova York. Os preços caíram 0,6 por cento nesta semana. Os contratos futuros mais ativos para abril caíram US$ 1,43, para US$ 31,50.

Ganhos sazonais

O brent para liquidação em abril caiu US$ 1,43, ou 4,2 por cento, para US$ 32,85 o barril na ICE Futures Europe, em Londres. Os preços estão em baixa de 1,5 por cento nesta semana. O petróleo de referência na Europa estava pagando um ágio de US$ 1,35 sobre o WTI de abril.

Um índice de ações globais caiu pela primeira vez em seis dias. Os títulos do Tesouro dos EUA e o dólar ganharam força depois que um relatório mostrou que o custo de vida nos EUA, excluindo alimentos e combustível, teve o maior aumento desde 2011, reforçando a mensagem do Federal Reserve de que a inflação subirá em direção à sua meta.

Os estoques de petróleo de todo o país aumentaram em 2,15 milhões de barris até 12 de fevereiro, disse a AIE. Os estoques estão em uma alta recorde em termos de dados semanais, que começaram a ser compilados em agosto de 1982. A oferta não chegava a esse nível desde 1930, segundo registros mensais que remontam a 1920.

"Se você observar a tendência sazonal dos últimos cinco anos, teremos 560 milhões de barris em armazenagem comercial no final de abril", disse Bill O'Grady, estrategista-chefe de mercados da Confluence Investment Management em St. Louis, que supervisiona US$ 3,4 bilhões em ativos.

Recorde em Cushing

A oferta de petróleo em Cushing, Oklahoma, maior polo de armazenagem de petróleo dos EUA, subiu para um recorde de 64,7 milhões de barris, disse a AIE em um relatório, na quinta-feira. O local, que é o ponto de entrega do WTI, tem uma capacidade operacional de 73 milhões de barris.

A Arábia Saudita e a Rússia ofereceram nesta semana limitar a produção, que está perto de níveis recorde, desde que outros países acompanhem a decisão. O Irã, que era o segundo maior produtor da Opep antes da intensificação das sanções, em 2012, apoiou o acordo sem dizer se participaria do congelamento. Em separado, o Irã atrasou a data de início das vendas de um novo tipo de petróleo pesado até junho para dar aos compradores mais tempo para testar o petróleo nas refinarias.

O presidente do banco central da Noruega elevou seu alerta a respeito do uso excessivo da receita do país com o petróleo e previu que o governo poderá precisar sacar quase US$ 10 bilhões de seu fundo soberano neste ano. Em outubro, o maior produtor de petróleo da Europa Ocidental divulgou um orçamento que prevê o uso de um montante recorde de recursos do petróleo para apoiar o crescimento.

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