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Arábia Saudita e Irã mantêm produção e ampliam queda do petróleo

Ben Sharples e Grant Smith

(Bloomberg) -- O petróleo sofreu nova queda após os ministros do petróleo do Irã e da Arábia Saudita sinalizarem que não estão dispostos a reduzir a produção.

Os contratos futuros chegaram a cair 3,7 por cento em Nova York. A Arábia Saudita não reduzirá a oferta por não confiar que os demais exportadores seguirão seu exemplo e por acreditar que as produtoras de alto custo devem arcar com o ônus de reequilibrar os mercados, disse Ali Al-Naimi na terça-feira.

O ministro do petróleo iraniano, Bijan Namdar Zanganeh, disse que a proposta saudita-russa de congelar a produção foi "ridícula" porque o Irã está buscando ampliar suas exportações após anos de sanções, segundo a Shana, a agência de notícias do ministério.

"A probabilidade de que haja uma redução da oferta caiu de 2 por cento para menos de 1 por cento", disse Hannes Loacker, analista do Raiffeisen Bank International, por e-mail, de Viena.

"Se a Arábia Saudita e a Rússia mantiverem seus números de produção de janeiro, isso não modificará muito o quadro da oferta. O único fator que mudaria o jogo seria se o Irã participasse, mas por que eles deveriam fazê-lo se os demais países ampliaram a produção enquanto o Irã estava sob sanção?".

O petróleo caiu 17 por cento neste ano devido à especulação de que o excedente global se manterá. O Irã busca ampliar sua produção em 1 milhão de barris por dia em 2016 após o cancelamento das sanções, no mês passado.

Os estoques dos EUA, que estão em seu nível mais elevado em mais de oito décadas, subiram 7,1 milhões de barris na semana passada, teria reportado o Instituto Americano do Petróleo (API, na sigla em inglês), financiado pelo setor, na terça-feira.

O West Texas Intermediate para entrega em abril chegou a cair US$ 1,19 na Bolsa Mercantil de Nova York, para US$ 30,68 o barril, e estava em US$ 30,86 até às 13h28, pelo horário de Londres. O contrato para o mês caiu US$ 1,52 na terça-feira, ou 4,6 por cento, para US$ 31,87. O volume total negociado nesta quarta-feira estava cerca de 5 por cento acima da média de 100 dias. Os preços caíram 30 por cento no ano passado.

'Acerto de contas inevitável'

O brent para liquidação em abril chegou a cair US$ 0,90, ou 2,7 por cento, para US$ 32,37 o barril, na bolsa ICE Futures Europe, de Londres. Os preços caíram US$ 1,42 na terça-feira, para US$ 33,27. O petróleo usado como referência na Europa pagava um ágio de US$ 1,77 sobre o WTI.

O Iraque busca uma "consonância plena" para o acordo preliminar fechado em Doha na semana passada entre Arábia Saudita, Rússia, Venezuela e Catar, disse o ministro do petróleo, Adel Abdul Mahdi, em entrevista, em Tóquio, na quarta-feira. "Se alguns congelam e outros sobem, a política não é boa", disse ele.

O acordo marca "o início de um processo" que prosseguirá com mais negociações entre os países produtores em março, segundo Al-Naimi. A Arábia Saudita não reduzirá a produção porque não confia que os demais países seguirão o exemplo, disse ele, em Houston. Cortar a produção de baixo custo para subsidiar a oferta de alto custo apenas atrasa um "acerto de contas inevitável", disse ele.

Os estoques de petróleo em Cushing, Oklahoma, ponto de entrega do WTI e maior polo de armazenagem de petróleo dos EUA, aumentaram em 307.000 barris na semana passada, reportou o API na terça-feira, segundo uma pessoa familiarizada com os números.

Uma pesquisa da Bloomberg mostrou que as ofertas em todo o país norte-americano provavelmente tenham aumentado em 3,25 milhões de barris. A Administração de Informação de Energia dos EUA deverá divulgar informações nesta quarta-feira.

 

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