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Após acordo histórico com Singer, Argentina prevê vender US$ 15 bi em títulos

Carolina Millan e Chiara Vasarri

01/03/2016 13h47

(Bloomberg) - O acordo da Argentina para deixar para trás uma saga amarga que dura 15 anos não vai sair barato.

No domingo, o país chegou a um acordo com os detentores de títulos liderados pelo bilionário de hedge fund Paul Singer sobre dívidas não pagas do calote recorde de US$ 95 bilhões em 2001.

O acordo, que possibilitará que a Argentina volte a ter acesso aos mercados internacionais de títulos, é o maior, e possivelmente o mais significativo, de uma série de acordos com credores fechados pelo presidente Mauricio Macri desde que assumiu o cargo no dia 10 de dezembro.

Qual é a conta de todos esses acordos? Até US$ 15 bilhões - que serão captados com duas ou três vendas de títulos em abril, disse o ministro da Fazenda e Finanças Alfonso Prat-Gay na segunda-feira.

Embora a demanda por notas da Argentina esteja em alta pelo otimismo de que Macri irá restabelecer a confiança e fazer com que a economia volte a se movimentar, o governo precisará pedir dinheiro emprestado em um momento em que há pouco apetite pela dívida arriscada do mercado emergente.

Diante de um crescimento mundial morno talvez a Argentina tenha que pagar meio ponto percentual a mais que os custos de empréstimos predominantes para atrair os compradores de títulos, de acordo com Michael Roche, estrategista da Seaport Global Holdings.

"Agora vem a parte interessante", disse Kevin Daly, gestor de recursos da Aberdeen Asset Management, que administra cerca de US$ 11 bilhões em dívida de mercados emergentes.

"Potencialmente, muita oferta vai chegar ao mercado, o que poderia provocar certa volatilidade no mercado. Desafios duros virão pela frente, mas acho que eles vão conseguir lidar com isso".

Acordo com Singer

O acordo requer que a Argentina pague US$ 4,65 bilhões em dinheiro à Elliott Management, de Singer, e aos hedge funds Aurelius Capital Management, Davidson Kempner e Bracebridge Capital, de acordo com um mediador nomeado pelo tribunal.

A quantia equivale a 75% dos quase US$ 5,9 bilhões reivindicados em capital e juros não pagos, mais US$ 235 milhões em outras reivindicações e parte dos honorários advocatícios dos holdouts, disse o mediador Daniel Pollack a repórteres na segunda-feira em Nova York.

O prazo final do acordo é o dia 14 de abril e poderia ser estendido se necessário, disse Prat-Gay na segunda-feira.

As condições do acordo são melhores do que a oferta anterior, de 72,5% das reivindicações dos credores, e constituem uma melhoria significativa em relação às reestruturações anteriores, que impuseram prejuízos de quase 70% para os detentores da dívida.

Cerca de 7% dos credores, inclusive a Elliott, recusaram essas condições iniciais - que foram oferecidas em 2005 e novamente em 2010 - e buscaram o pagamento no tribunal.

O acordo com Singer veio semanas depois de a Argentina ter concordado em pagar mais de US$ 3 bilhões a outros dos chamados credores holdouts, incluindo 50 mil detentores de títulos italianos. Todos os acordos estão sujeitos à aprovação do Congresso.

"Todos os bancos com os quais conversamos estão confiantes de que podemos captar o dinheiro de que precisamos no mercado", disse o secretário de Finanças Luis Caputo a repórteres no dia 22 de fevereiro. "Estamos otimistas".

Demanda forte

Alejo Costa, diretor de estratégia da corretora Puente, com sede em Buenos Aires, estima que a Argentina precisará vender em torno de US$ 11 bilhões para pagar os acordos com os holdouts e outros US$ 8 bilhões para financiar suas necessidades fiscais.

Ele espera que uma emissão desse tipo leve a média dos yields dos bonds da Argentina com vencimento mais longo para mais perto de 8%.

Mas, para o governo, o acordo é um investimento de longo prazo. Prat-Gay disse na segunda-feira que depois que o acordo com os holdouts estiver totalmente resolvido a Argentina espera poder emitir dívida a taxas de 4,5%, semelhantes às do Uruguai.

Sebastián Loketek, diretor administrativo e chefe da unidade do Bank of America na Argentina, não está muito preocupado com a capacidade do país para reunir compradores.

"A Argentina está se tornando um tema quente", disse ele. "Prevemos que haverá uma demanda forte".