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Minério de ferro cai novamente após 'desvio surpresa'

Jasmine Ng e Rebecca Keenan

09/03/2016 14h02

(Bloomberg) -- O minério de ferro caiu nesta quarta-feira, corroendo o aumento recorde de segunda-feira, em meio ao ressurgimento do temor de que a oferta global esteja superando a demanda.

O minério com 62% de conteúdo entregue a Qingdao caiu 8,8%, para US$ 58,02 a tonelada, segundo dados enviados por e-mail pela Metal Bulletin.

O preço caiu 0,2% na terça-feira após a alta de 19% de segunda, que havia elevado o preço do metal ao nível mais alto desde junho. O recuo foi precedido por prejuízos nos contratos futuros em Cingapura e na China.

O minério de ferro teve uma forte alta na segunda-feira depois que o governo chinês proclamou seu compromisso de sustentar o crescimento, fortalecendo a perspectiva para a demanda e gerando a especulação de que o avanço havia sido reforçado enquanto alguns investidores corriam para fechar apostas nos prejuízos.

O rali levou bancos como Goldman Sachs e Citigroup a dizerem que os ganhos teriam vida curta, citando a desaceleração da demanda por aço na China e a oferta crescente das minas. A matéria-prima caiu nos últimos três anos em meio ao excesso de oferta mundial.

"Vimos esse desvio surpresa na segunda-feira para a casa dos US$ 60, mas não acreditamos que [o minério de ferro] continue nesse patamar, vai retroceder", disse Morgan Ball, diretor-gerente da pequena produtora australiana BC Iron, a repórteres, em conferência do setor, em Perth, na Austrália Ocidental, na quarta-feira.

"É possível que se estabilize na faixa entre US$ 45 e US$ 55, que é um número potencialmente interessante para nós".

Principais usinas

O mercado global de minério de ferro continua flagrantemente com excesso de oferta, a demanda na China está oscilando e há uma abundância severa de aço, segundo Li Xinchuang, vice-secretário-geral da Associação Chinesa do Ferro e do Aço.

Li, cujo grupo representa as principais usinas do país que responde pela metade do aço do mundo, disse que os ganhos recentes provavelmente não vão durar.

As oscilações desta semana foram impulsionadas por mudanças nos futuros da China, segundo Lourenço Gonçalves, CEO da Cliffs Natural Resources, a maior produtora dos EUA. O preço é controlado pelo mercado de futuros e pela especulação na bolsa de Dalian, disse Gonçalves, em entrevista.

"Essa oscilação não tem correlação, no momento, com o mercado físico", disse Gonçalves, cuja empresa também possui minas na Austrália que embarcam sua produção para clientes na Ásia. Na segunda-feira, "o dinheiro foi colocado no mercado" porque os investidores reagiram aos comentários do premiê Li Keqiang feitos no fim de semana, disse Gonçalves.