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Sucessor de Mobius na Templeton tem China e Brasil no currículo

Kyoungwha Kim e John Gittelsohn

(Bloomberg) -- O homem que assumirá o lugar do ícone dos investimentos Mark Mobius na Templeton Emerging Markets Group é um gestor de recursos que morou e trabalhou na China e no Brasil, duas das economias mais importantes de seus portfólios.

Stephen Dover, 54, se tornará chefe do grupo enquanto Mobius, investidor pioneiro que popularizou o investimento em mercados emergentes, deixará a gestão do dia a dia. Mobius, conhecido pelo estilo de pesquisa intensa que o faz atravessar continentes mais de 250 dias por ano, continuará como presidente do conselho. Aos 79 anos, ele focará na divulgação das perspectivas para os mercados emergentes e na atração de investidores de volta para a classe de ativos, na qual as oportunidades estão ressurgindo após anos de declínios, disse ele nesta quinta-feira.

"Sinto que será uma grande oportunidade", disse ele em entrevista a Yvonne Man e Rishaad Salamat, da Bloomberg Television. "Minha prioridade é empurrar os mercados emergentes com força para garantir o retorno dos investidores, porque eles estão fora e underweight em relação aos mercados emergentes".

Perspectiva para 2016

Dover carrega quase duas décadas de experiência com afiliados da Franklin Resources e um currículo internacional ao seu novo emprego como diretor de investimento da Templeton Emerging Markets Group, cargo que ele assume em 15 de abril, acumulando sua função atual de chefe de investimento da Franklin Local Asset Management. Ele morou e trabalhou na China, na Costa Rica, na Inglaterra e no Brasil, segundo biografia divulgada pela empresa.

Morador da Califórnia, ele cogerencia pelo menos sete fundos internacionais com US$ 3,7 bilhões em ativos, segundo dados compilados pela Bloomberg. O maior deles, o Franklin Templeton India Fund, de US$ 2,7 bilhões, com sede em Luxemburgo, teve um desempenho estilo montanha-russa, caindo 5,5 por cento em 2015 após subir 41 por cento um ano antes. O fundo está em queda de 2,2 por cento neste ano.

Dover, que está de férias e encaminhou as perguntas a um porta-voz da empresa, disse em uma perspectiva de investimento de janeiro de 2016 que a volatilidade "continuará sendo uma força motriz nos mercados neste ano". Empresas com baixa alavancagem, fluxos de caixa estáveis, marcas fortes e mercados crescentes "provavelmente terão desempenho superior em relação ao de seus pares menos estáveis" em um ambiente de elevação dos juros nos EUA e incerteza global, disse ele.

Conhecimento substancial

Na Franklin Templeton, ele gerenciou grupos de investimento em países como Austrália, Japão e Brasil. Ele também foi gerente de portfólio e diretor da Newell Associates e trabalhou para a Towers Perrin Consulting em Nova York, Londres e São Francisco.

"O que diferencia Stephen é seu conhecimento substancial sobre os mercados emergentes, área em que é fundamental ter um profundo entendimento de diferentes culturas e de quais fatores são importantes localmente em cada mercado", disse Purav Jhaveri, diretor-gerente que trabalhou com Dover por 15 anos na Franklin Templeton, por e-mail.

Mobius, que investe em países em desenvolvimento há cerca de quatro décadas, construiu a reputação de farejador de ações subavaliadas em relação ao seu crescimento potencial, reforçada pelos retornos consistentemente descomunais logo no início de sua carreira. Ele enfrentou dificuldades nos últimos anos, porque investimentos mal programados em empresas de commodities e mineração causaram prejuízos.

Desempenho inferior

Mobius anunciou em julho que se aposentará como gerente principal do Templeton Emerging Markets Investment Trust, um dos mais antigos fundos de ações para países em desenvolvimento, e Carlos Hardenberg foi selecionado para assumir o cargo a partir de outubro.

Muitos gerentes de fundos de mercados emergentes fracassaram com a desaceleração da expansão da China e pelo fato de antigos destaques, como Brasil e Rússia, registrarem um crescimento desanimador em meio à queda das commodities. O principal fundo de Mobius, o Templeton Asian Growth, de US$ 4,4 bilhões, perdeu 27 por cento em 2015, ficando atrás da queda de 8,9 por cento do índice de referência e com um desempenho pior que o de 99 por cento de seus pares, mostram dados compilados pela Bloomberg.

Os mercados emergentes estão em um ponto de inflexão e há uma reversão à vista, disse Mobius à Bloomberg neste mês, sinalizando otimismo após a pior queda anual em quatro anos. Brasil, Rússia e Vietnã estão entre as melhores escolhas, disse ele na quinta-feira.

O índice MSCI Emerging Markets subiu 21 por cento em janeiro em relação ao menor valor em sete anos, enquanto um indicador das moedas dos países em desenvolvimento recuperou 9 por cento. A demanda por ativos de maior risco está aumentando com a recuperação do petróleo em relação à maior baixa em 13 anos e com as avaliações mais baratas, que estão superando os temores em relação à desaceleração econômica da China e ao fim das taxas de juros próximas de zero nos EUA.

"Eu diria que os ativos dos mercados emergentes serão uma classe importante para um crescimento potencial mais elevado nos próximos anos", disse Bernard Aw, estrategista da IG Asia Pte em Cingapura. "Não posso prever nada com mais de 5 a 10 anos, porque alguns países emergentes poderiam deixar o grupo após se tornarem desenvolvidos, décadas depois. Isso mudaria a dinâmica".

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