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Analistas não veem rali prolongado da libra após referendo

Lukanyo Mnyanda e Anooja Debnath

(Bloomberg) -- Não conte com um rali prolongado da libra esterlina se o Reino Unido votar pela permanência na União Europeia.

Essa é a visão de número crescente de estrategistas e investidores que apontam para outros motivos pelos quais a moeda britânica se manterá fraca, do déficit recorde de conta-corrente do país até a especulação de que as taxas de juros continuarão baixas no futuro previsível.

A libra já caiu mais de 3% frente ao dólar neste ano, a maior queda entre 16 moedas de importância monitoradas pela Bloomberg, em meio às dúvidas sobre a permanência do Reino Unido no maior mercado comum do mundo.

A Pioneer Investments, que viu o declínio da libra no segundo semestre de 2015, e o Julius Bär Group, o segundo analista cambial mais preciso, antecipam uma recuperação máxima de 4% após um voto por permanecer na UE no dia 23 de junho e a rápida evaporação de quaisquer ganhos.

"Se o plebiscito disser que nós ficamos na UE, então acreditamos que a recompensa para a libra, ou o apoio à libra, será muito discreto", disse David Kohl, diretor de pesquisa cambial do Julius Bär em Frankfurt. "Uma semana depois do referendo ele será rapidamente esquecido porque o status quo é mantido. O aspecto adverso é muito grande".

Kohl projeta um rali entre 1% e 3% para a libra após uma votação a favor da permanência, seguido de uma queda para US$ 1,36 em uma semana. A moeda encerrará o ano a US$ 1,37, antecipa ele, com uma queda de quase 4% em relação à cotação de US$ 1,4222 às 10h25, horário de Nova York.

Risco

Como as pesquisas de opinião mostram que até uma de cada três pessoas está indecisa em relação ao que votar no referendo, o valor da libra está em uma situação delicada. Uma pesquisa feita pela ComRes e pela FXCompared no mês passado mostrou que a maioria dos britânicos está preocupada com os efeitos sobre a moeda. E a libra se transformou ainda em uma arma de campanha, sendo que os pró-UE mencionam um possível desmoronamento da taxa de câmbio nos materiais de campanha.

A libra caiu ainda mais frente a outras moedas, e com base na cotação média ponderada ela recuou quase 7% em 2016 e fechou no valor mais baixo em dois anos e meio.

Os preços de opções sugerem que os traders estão mais pessimistas em relação à libra do que a qualquer outra moeda do G10 --não apenas para depois do referendo de junho, mas também para os próximos 12 meses.

O custo líquido dos contratos a três meses com proteção contra perdas na libra aumentou nesta semana para 4,7 pontos porcentuais, a maior alta desde que a Bloomberg começou a compilar os dados sobre reversão de riscos em 2003. Existem prêmios similares para proteção de seis e doze meses.

Outros problemas

Uma votação a favor de permanecer na UE adiantaria as expectativas de um aumento nas taxas de juros que impulsionaria a moeda, mas só para o primeiro trimestre de 2018, estimam economistas da Bloomberg Intelligence.

Além disso, a economia e a moeda do Reino Unido enfrentam outros desafios. O déficit de conta-corrente do Reino Unido cresceu para 7% do PIB no quarto trimestre, a maior taxa da história, o que poderia afetar o atrativo tradicional da libra como reserva de valor. O FMI reduziu na terça-feira sua previsão de crescimento para o Reino Unido e advertiu para estragos "severos" à economia mundial se o país abandonar a UE.

A Pioneer Investments, que administra US$ 243 bilhões, previu o recuo da libra há quase um ano, quando recomendou vendê-la quando caísse até US$ 1,45 --patamar que acabou atingindo em janeiro. Agora, a empresa prevê um rali de 3% a 4% imediatamente após uma votação pela permanência, antes de registrar um recuo para fechar o ano a cerca de US$ 1,40.

"A incerteza manterá o Banco da Inglaterra na espera", disse Andreas König, diretor de câmbio da Pioneer para a Europa em Dublin. "É complicado achar um ambiente muito positivo para a libra".

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