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BlackRock e Fidelity discordam sobre bolsa no Brasil pós-Dilma

Charles Stein

(Bloomberg) -- Nos últimos cinco anos, a tarefa de administrar fundos de ações latino-americanas foi o pior trabalho em Wall Street, com prejuízos de mais de 10% ao ano.

Neste ano, esses fundos, estão desfrutando de uma muito aguardada recuperação com ralis no mercado brasileiro, mas seus gerentes divergem sobre a longevidade dessa recuperação e sobre como aproveitá-la.

William Landers, cujo BlackRock Latin America Fund, de US$ 170 milhões, subiu 17% em 2016 até 12 de abril, está entre os que apostam que a saída da presidente Dilma Rousseff levará a uma melhora no clima de negócios que sustenta altas cotações. Concorrentes como Will Pruett, da Fidelity Investments, preveem mais dificuldades econômicas que não se resolverão facilmente, mesmo que a presidente seja deposta.

"As questões do Brasil são estruturais e graves", disse Pruett, que ajuda a administrar o fundo Fidelity Latin America, de US$ 495 milhões, com ganho de 13% neste ano. "Não é como se uma mudança de governo fosse consertar o que está quebrado".

O Ibovespa acumula alta de mais de 30% em dólares em 2016, impulsionado pela alta dos preços das commodities e pela possibilidade crescente de que Dilma sofrerá impeachment no Congresso. Os gestores de fundos mútuos dos EUA focados em ações latino-americanas dependem dessa alta porque o Brasil representa metade do principal índice de referência de ações da categoria.

Trata-se da última reviravolta em um mercado que permaneceu volátil durante a maior parte deste século. De 2003 a 2007, o Ibovespa subiu mais de 10 vezes em dólares, impulsionado pelo aumento dos preços das commodities, pela baixa inflação e pelo crescimento econômico. O índice caiu 74% no período de cinco anos até 31 de dezembro passado devido à reversão das tendências e porque o país sofreu com escândalos corporativos e políticos.

Forte expansão

Landers, que administra o fundo da BlackRock desde 2002, acompanhou tudo isso. O BlackRock Latin America deu um retorno de mais de 50 por cento ao ano durante os anos de forte expansão, depois caiu 15% ao ano entre 2011 e 2015, incluindo um declínio de 30% no ano passado.

"Estamos administrando muito menos dinheiro do que antes", disse Landers, 47. Os ativos do fundo caíram mais de 80% em relação ao pico, segundo dados compilados pela Bloomberg, e Landers agora administra cerca de US$ 2 bilhões no total, contra US$ 11 bilhões no auge.

Ele começou 2016 com uma visão negativa do Brasil, mas a possibilidade cada vez maior de impeachment o fez mudar de ideia. Landers aumentou o peso de ações brasileiras no primeiro trimestre em cerca de 5 pontos percentuais e agora está um pouco acima da exposição média do fundo. As ações brasileiras com maior presença no fundo até 29 de fevereiro eram a Ambev e o Bradesco.

A mudança de governo no Brasil "é a única forma de conseguir melhores políticas para ajudar a reduzir a inflação e retomar o ritmo de expansão da classe média", disse Landers.

Dilma, cujo governo está sob ataque por supostamente tomar empréstimos de bancos estatais para cobrir um déficit no orçamento, diz que as acusações contra ela não têm fundamento e chama as tentativas de removê-la do cargo de "golpe contra a democracia". Em um discurso, na terça-feira, a presidente acusou seu vice-presidente de tentar tomar o governo ilegalmente, ressaltando a profundidade da amargura que convulsiona o país dias antes da votação do impeachment.

Os economistas estimam que as condições no Brasil continuarão difíceis neste ano. Os preços ao consumidor vão subir 8,5%, enquanto a produção encolherá 3,6%, segundo a média de projeções de mais de 30 participantes de uma pesquisa da Bloomberg.

Pruett, da Fidelity, se mantém cauteloso em relação ao Brasil. Segundo ele, as ações estão caras e os problemas do país são profundos.

"A maré baixou para o Brasil", disse Pruett, que administra o fundo desde outubro.

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