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Petróleo pode ter forte queda se acordo para congelamento falhar

Grant Smith

(Bloomberg) -- O sucesso inicial do acordo entre a Opep e a Rússia sobre a oferta de petróleo, que recuperou os preços do barril, amplia os riscos potenciais de um possível fracasso da reunião dos países produtores neste fim de semana.

Os futuros do petróleo Brent, que em janeiro atingiram o menor valor em 12 anos, subiram cerca de 30 por cento desde que a Arábia Saudita, a Rússia, o Catar e a Venezuela chegaram a um acordo preliminar para congelar a produção, em 16 de fevereiro. Embora o ministro da Energia da Rússia diga que está "otimista" de que o acordo será finalizado em Doha em 17 de abril, o Goldman Sachs alertou que o peso das expectativas representa um "catalisador de baixa" em caso de as negociações fracassarem.

"Eles falam dessa reunião há tanto tempo que se terminarem gritando uns com os outros e abandonando a sala o impacto negativo sobre os preços será muito severo", disse Seth Kleinman, chefe de pesquisa para a energia europeia do Citigroup em Londres. "E provavelmente eles têm muita consciência disso".

As tensões foram visíveis ao longo das negociações. A agência de notícias Interfax reportou na terça-feira que a Arábia Saudita se decidiria pelo congelamento independentemente da decisão do Irã, mas o reino insistiu, publicamente, que sua participação depende do rival persa, que descartou a aplicação de um limite à oferta. O Iraque elevou a produção a níveis recorde e o Kuwait anunciou planos similares. Como o aumento dos preços ajuda os rivais da Opep a permanecerem no negócio, a justificativa para o acordo está se desgastando, diz o Goldman Sachs.

"Por que eles mudariam o curso após 18 meses com o ambiente atual? Estamos finalmente começando a ver os frutos disso" em termos de produção reduzida, disse Jeff Currie, chefe de pesquisa de commodities do Goldman Sachs, em entrevista à Bloomberg Television. Existe um "alto risco de que a reunião não chegue a nenhum acordo concreto", disse ele em um relatório.

O Kremlin acredita que existe uma "esperança" de concluir o pacto sem o Irã, disse o secretário de imprensa Dmitry Peskov. O ministro de Energia da Rússia, Alexander Novak, conversou por telefone com o ministro do Petróleo saudita, Ali al-Naimi, na terça-feira, para discutir as perspectivas de um congelamento de produção, segundo uma pessoa com conhecimento direto do assunto. Novak disse mais cedo, na terça-feira, que era "otimista" em relação a um consenso.

O resultado provável em 17 de abril será "um acordo leve que, na realidade, não modificará em nada os fundamentos", disse Currie. Algo mais forte "não é de interesse de ninguém no momento".

Pelo menos 15 países -- incluindo a maior parte dos integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, assim como não-membros, como Omã e Azerbaijão -- concordaram em comparecer à capital do Catar no fim de semana. Embora os estados-membros da Opep que haviam pressionado por cortes de produção em vez de um congelamento, como a Venezuela e a Argélia, tenham suavizado suas posturas, isso só serviu para ressaltar a discordância em relação à política do grupo, liderada pelos sauditas, de permitir que as forças do mercado equilibrem a oferta e a demanda.

A Arábia Saudita estará preparada para obedecer a um congelamento apenas "se todos os países concordarem", disse o príncipe herdeiro adjunto da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, em entrevista à Bloomberg publicada em 1º de abril. Por outro lado, se outros países elevarem sua produção, o reino aumentará suas vendas, disse ele. O Irã, que teve as sanções sobre suas exportações de petróleo canceladas em janeiro, deixou clara em várias oportunidades sua intenção de recuperar a produção.

O ministro do Petróleo iraniano, Bijan Zamdar Zanganeh, ainda não decidiu se participará da reunião em Doha, disse Akbar Nematollahi, diretor-geral de relações públicas do Ministério do Petróleo do país, nesta quarta-feira.

Os futuros do Brent eram negociados perto de US$ 44 o barril em Londres nesta quarta-feira. Os preços poderão cair para US$ 33 ou até mesmo para US$ 30 o barril se a reunião de 17 de abril terminar sem um acordo, projeta o Saxo Bank.

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