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Análise: Nem todos investidores se animam com proximidade do impeachment

Paula Sambo

(Bloomberg) -- O Congresso está à beira da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff e investidores - da Franklin Templeton à Newfleet Asset Management- não estão se arriscando.

Enquanto alguns investidores estão diminuindo seus investimentos no Brasil, outros estão resistindo ao apelo para aumentar sua exposição em meio a preocupações de que a saída de Dilma não será suficiente para abrir caminho para um governo que possa tirar a economia da recessão. Eles estão preocupados que o rali, que ajudou títulos do governo em real a bater todos os demais mercados emergentes com um ganho de 27% no ano, seja insustentável devido ao mau estado da economia.

Um número crescente de gestores de recursos estão se tornando cada vez mais cautelosos no momento em que a Câmara se prepara para votar no domingo se dá prosseguimento ao processo de impeachment e envia o caso para o Senado. Se por um lado isso significa que os investidores estariam a um passo para a mudança de governo que desejam, é provável que seu otimismo esbarre na dura realidade dos profundos problemas do Brasil, de acordo com Daniel Senecal, gerente de recursos da Newfleet, que administra US$ 11,5 bilhões. O Brasil está atualmente atolado em sua pior recessão em mais de um século.

"Eu fui surpreendido pelo quanto os ativos se movimentaram", disse Senecal. "Eu tenho algum otimismo com alguma mudança também, mas se conseguirmos passar por tudo isso com sucesso, ainda há um monte de madeira para cortar. O Brasil está provavelmente um pouco no lado caro e a maior parte disso tem a ver com o fato de que, independentemente do que acontecer, você tem um monte de problemas para resolver".

Na quinta-feira, o governo de Dilma pediu ao Supremo Tribunal Federal para anular o processo de impeachment no Congresso e suspender a votação de domingo. As acusações da oposição, que afirma que Dilma infringiu a lei ao tentar mascarar um deficit orçamentário crescente, não têm justificativa necessária para removê-la do cargo, de acordo com o governo.

Se a Câmara votar a favor de impeachment, a maioria no Senado deve concordar em retirar a presidente. Se os senadores aprovarem, Dilma deverá deixar o cargo por até 180 dias, para que o caso seja debatido. Depois, dois terços dos 81 membros do Senado precisariam aprovar o impeachment da presidente e encerrar seu mandato.

Os investidores que estão antecipando uma resolução rápida podem se decepcionar pelo quão arrastado é provável que o processo seja, disse Rodrigo Borges, diretor de renda fixa da Franklin Templeton Invest Brasil em São Paulo.

"É possível que os investidores comprem o boato e que vendam o fato", disse ele. "Há ainda muitos capítulos pós-votação e mercados parecem achar que o domingo seria o último. Com a nossa atuação defensiva, podemos, obviamente, perder parte dos movimentos, mas temos que esperar até que o cenário permita uma melhor visão sobre como a economia vai evoluir. Preferimos ver a poeira assentar um pouco."

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