Hedge funds dobram apostas em alta de preços agrícolas

Lydia Mulvany

(Bloomberg) -- Com a seca no Brasil e as inundações na Argentina ameaçando as safras, o clima está se tornando suficientemente ruim para chamar a atenção de hedge funds.

Os gestores de recursos mais do que dobraram suas apostas na alta dos preços agrícolas, elevando suas posições ao maior valor desde julho após apostarem em quedas no mês passado. Os investidores são, atualmente, os mais otimistas em relação à soja desde maio de 2014 e reduziram as posições na queda do milho pela quinta vez em seis semanas. O Bloomberg Agriculture Subindex, formado por oito produtos agrícolas, caminha para seu melhor rali em um mês de abril desde 2009.

A estiagem é um problema tão grave para a colheita do milho no Brasil, o terceiro maior exportador, que o governo suspendeu as tarifas de importação por seis meses, sinalizando que poderá ter que importar o grão. As chuvas excessivas na Argentina, o terceiro maior produtor de soja, levaram as duas maiores bolsas do país e o Ministério da Agroindústria a reduzirem as perspectivas para a safra. Somam-se à perspectiva positiva para os preços a estabilização da economia da China e o dólar mais fraco, o que aumenta o apelo da oferta dos produtores dos EUA.

"Agora que começamos a plantar estamos pensando em como será a temporada de cultivo e colocando mais algum prêmio de risco no mercado, que caiu bastante", disse Chris Narayanan, chefe de pesquisa agrícola do Société Générale em Nova York. "Se o clima piorar no Brasil e houver um clima quente e seco nos EUA, é possível que vejamos outra grande alta".

Apostas otimistas

As posições combinadas de 11 produtos agrícolas subiram para 368.088 futuros e opções na semana que terminou em 19 de abril, segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA publicados três dias depois. O número contrasta com 177.770 de uma semana antes.

O Bloomberg Agriculture Subindex subiu 1,5 por cento na semana passada após atingir o nível mais alto desde julho. Os ganhos de preços recentes geraram a especulação de que os contratos futuros podem estar chegando ao nível mínimo após atingirem os menores valores em muitos anos neste mês. A participação no mercado se expandiu em meio à alta, com o aumento dos volumes negociados e dos contratos em aberto.

Projeção da Bolsa

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires reduziu sua projeção para a safra de soja da Argentina em 6,7 por cento, para 56 milhões de toneladas, depois que algumas regiões do país receberam seis vezes o volume normal de chuva em abril. O país é o maior exportador de farelo de soja e óleo vegetal. No Brasil, alguns estados ficaram um mês sem chuvas, o que pode trazer problemas à safrinha, que está se aproximando das fases de polinização e enchimento dos grãos, disse Brett Wong, analista da Piper Jaffray & Co., em um relatório.

Ao mesmo tempo em que as condições para as safras sul-americanas pioram, crescem as ameaças às áreas de cultivo dos EUA. A mudança do fenômeno climático El Niño para o La Niña pode ocorrer já em julho, disse Wong. Isso redundaria em temperaturas mais altas no verão e condições mais secas nos EUA, possivelmente reduzindo os rendimentos do milho e da soja. As chuvas nas áreas de algodão dos EUA já prejudicaram as plantações e os investidores mais do que dobraram sua posição na fibra para o nível mais alto desde fevereiro.

Os amplos estoques globais podem ajudar a amortecer as perdas de safra devido ao clima ruim e limitar as altas dos preços. Embora o Bloomberg Agriculture Subindex tenha subido na semana passada, o indicador caiu 3 por cento na sexta-feira, maior declínio desde agosto. A proporção entre estoques de milho e demanda será elevada pela safra que começa neste ano, disse o Goldman Sachs em um relatório na semana passada. O banco disse que estava pessimista em relação ao milho e à soja e que reduziu sua perspectiva para os preços do trigo.

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