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Superaquecimento de mercado de aço na China acende alerta

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Os alertas estão se acumulando rapidamente após a surpreendente alta do aço na China. A Fitch Ratings disse que os preços que subiram em parte pela especulação intensificada estão fadados a cair, e um banco de Cingapura sinalizou o risco de um ciclo de expansão e queda que lembra o mercado de ações da China.

O avanço rápido não é sustentável porque as usinas deverão retomar a capacidade ociosa, o que elevará a oferta, disse a Fitch em um relatório, nesta segunda-feira (25). Os aumentos de preço foram impulsionados pela recuperação sazonal da atividade, que está sendo intensificada pela especulação maior no mercado futuro, segundo a analista Laura Zhai.

Os preços do aço dispararam em 2016, englobando uma alta de 48% da barra de reforço (rebar), depois que as autoridades chinesas promoveram publicamente o crescimento e a adição de estímulos, ajudando a elevar os preços dos imóveis e a iniciar um frenesi especulativo. Os ganhos ajudaram a restaurar a rentabilidade das siderúrgicas, ampliando seu incentivo para aumentar a produção. O Oversea-Chinese Banking Corp., que tem sede em Cingapura, alertou na segunda-feira que podem haver paralelos entre o repentino salto na negociação do aço e o desempenho das ações no ano passado, citando o potencial para um cenário de expansão e queda.

"O rápido aumento dos preços do aço chinês até esta altura do ano não é sustentável porque se deve, em grande parte, a uma aceleração sazonal da construção e à elevada especulação no mercado futuro do aço", disse a Fitch. "Com os preços agora aumentando, muitas das siderúrgicas que estavam paradas retomaram a produção".

Aumento no mercado futuro

Os futuros da barra de reforço ampliaram seus ganhos nesta segunda-feira, encerrando em alta de 0,9%, a 2.643 yuans (US$ 407) a tonelada, na Bolsa de Futuros de Xangai. O preço do produto usado para reforçar o concreto avançou pela 11ª semana até sexta-feira, somando 14%.

A produção de aço no maior fornecedor do mundo poderá ter um novo aumento neste mês com a ativação de mais fornos, segundo a Fitch. Em março a produção subiu 2,9% em relação ao ano anterior, para um total recorde de 70,65 milhões de toneladas, segundo números do Escritório Nacional de Estatísticas.

Para esfriar a alta nas negociações, na semana passada a Bolsa de Futuros de Xangai aumentou as tarifas das transações e a Bolsa de Commodities de Dalian, que tem contrato de minério de ferro, elevou as exigências de margem. A bolsa de Dalian também restringiu as regras sobre o que chamou de comércio anormal, que agora inclui a entrega e a retirada frequente dos pedidos.

Posições do rebar

O aumento dos preços, que também incluiu a bobina laminada a quente, ocorreu frente a um cenário de estoques mais baixos que o normal depois que as siderúrgicas reduziram a produção no ano passado. O estoque de rebar da China encolheu 7,3% na semana passada, para 4,32 milhões de toneladas até o dia 22 de abril, segundo a Shanghai Steelhome Information Technology. A esta altura do ano passado, o estoque era de 6,66 milhões de toneladas.

O Goldman Sachs disse na sexta-feira que embora o rebar venha "liderando" as commodities neste ano, ainda não se vê uma mudança sustentável nos fundamentos. O banco também projeta prejuízos no minério de ferro, ingrediente usado para a produção de aço, prevendo uma queda para US$ 35 por tonelada até o final do ano. O preço de referência do minério com 62% de conteúdo entregue em Qingdao era de US$ 66,07 a tonelada seca na segunda-feira após cair 0,4%, segundo a Metal Bulletin.

"A recente alta de base ampla dos futuros de commodities foi o resultado de dois fatores: a crença maior de que a China continuará confiando nos setores de infraestrutura e de imóveis para respaldar o crescimento e a liquidez ampla", disse o OCBC. O risco de correção não pode ser descartado, alertou.

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