Investidores em títulos acham que EUA só vão subir os juros em 2017

Eliza Ronalds-Hannon

(Bloomberg) -- Para os investidores em títulos, não há muita dúvida sobre o caminho que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) seguirá em relação às taxas de juros.

Eles não estão precificando completamente outro aumento até fevereiro, e o indicador da volatilidade esperada nos títulos do Tesouro caminha neste mês para o valor mais baixo desde 2014.

É esse tipo de arrogância que poderia fazer com que eles se deem mal, de acordo com Jerome Schneider, gestor financeiro da Pacific Investment Management, eleito gerente de fundo de renda fixa do ano em 2015 pela Morningstar.

"Os investidores não deveriam se enganar pensando que o Fed não estará em jogo", disse Schneider na segunda-feira, no escritório da Pimco em Nova York. "

O Fed continuará a depender dos dados e a aplicar de fato o gradualismo em cada passo", disse ele, "mas parece um pouco conservador simplesmente supor que a faixa de 25 a 50 pontos-base será mantida durante os próximos anos".

Os mercados futuros atribuem probabilidade zero a um aumento dos juros quando o Comitê Federal de Mercado Aberto finalizar na quarta-feira sua reunião de dois dias e apenas 20% de chance de ação em junho, mesmo depois de evidências de que algumas autoridades defenderam um aumento dos juros em abril na última reunião.

A presidente do Fed, Janet Yellen, disse no mês passado --depois de os responsáveis pela política terem reduzido em março a mediana de projeção de aumentos dos juros em 2016 de quatro para dois-- que os riscos econômicos mundiais poderiam desacelerar o ritmo dos ajustes, apesar dos sinais de fortalecimento econômico dos EUA.

O índice MOVE, do Bank of America Merrill Lynch, caiu para 67,89 na segunda-feira, após ter chegado a 97,94 no dia 11 de fevereiro. O indicador, que mede a volatilidade com base nos preços do mercado de balcão das opções de títulos do Tesouro que vencem entre dois e 30 anos, registrou uma média de 92,97 desde o começo de 2007.

Os investidores de futuros não estão precificando completamente outro aumento dos juros até o ano que vem, com base em quando a taxa overnight implícita nos contratos futuros dos fundos do Fed ultrapassa pela primeira vez a marca de 0,625% --o ponto médio da faixa esperada no próximo aumento.

Os mercados divergiram antes, porque o desejo do Fed de ajuste destoa dos bancos centrais do exterior, que estão preservando ou aumentando os estímulos em meio ao crescimento morno da economia global e à inflação fraca.

Como os investidores têm tanta certeza de que o Fed adotará um ritmo gradativo, o mercado poderia se mexer caso a autoridade monetária dê na quarta-feira um mínimo indício de que haverá um aumento em junho, disse Kathy Jones, diretora de estratégia de renda fixa da Charles Schwab & Co em Nova York.

"Será que o comunicado vai ser mais 'linha-dura' do que os mercados esperam? É uma possibilidade", disse Jones. "O mercado está muito autoconfiante neste momento", disse ela, "e essa complacência relativa pode trazer um pouco de surpresa".

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