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UBS alerta investidores sobre risco de crédito na China

Justina Lee

(Bloomberg) -- As empresas estatais da China já não contam com o apoio robusto do governo -- uma má notícia para o bull market em Hong Kong, segundo o UBS Group.

O Estado é acionista de três das sete empresas chinesas que não honraram algum pagamento de dívida neste ano, grupo que inclui a Baoding Tianwei Group. O fim do apoio implícito do governo aumentará os custos de financiamento e minará a confiança do investidor estrangeiro na recuperação de 20 por cento do índice Hang Seng China Enterprises, disse Lu Wenjie, estrategista de ações do UBS em Xangai.

"As pessoas estão percebendo que as estatais nacionais podem dar calote, que as empresas de propriedade dos governos regionais podem dar calote -- ou seja, que qualquer um pode dar calote", disse Lu. "Aqueles que investem nas chamadas ações-H, especialmente os estrangeiros, ainda não prestaram muita atenção nisso, por isso o risco não está precificado".

Os calotes são um fenômeno relativamente novo na China, que registrou o primeiro caso do tipo apenas em 2014. O número crescente de faltas de pagamentos está reverberando no mercado de crédito do país, de US$ 3 trilhões: as dívidas junk onshore caminham para a maior queda mensal desde 2014, os emissores estão cancelando vendas de títulos e a Standard & Poor's está rebaixando as avaliações das empresas chinesas ao ritmo mais rápido desde 2003. A ampliação dos diferenciais de crédito em relação aos menores patamares em oito anos também ameaça a incipiente recuperação econômica, basicamente respaldada no aumento do crédito barato.

Desempenho das ações

"Os riscos de crédito da China não foram totalmente expostos por causa das garantias e dos resgates implícitos", disse Lu, que preferiu não projetar quanto as ações-H cairão. "Agora eles estão começando a ser expostos, mas não se sabe quanto as coisas poderão piorar".

Os investidores estrangeiros ficaram mais otimistas em relação à perspectiva para as ações do país do que seus pares da China continental. Na semana passada, o índice Hang Seng China Enterprises teve melhor desempenho dos últimos seis meses em relação ao índice Shanghai Composite. O indicador de Hong Kong reduziu seus prejuízos do ano para 7 por cento no fim do pregão de segunda-feira, contra uma queda de 17 por cento do índice de referência da China, e as empresas produtoras de matérias-primas lideraram a recuperação.

O índice de ações-H subiu 0,3 por cento no fechamento do pregão após chegar a cair 1,4 por cento.

"Os setores cíclicos parecem estar dando alguns sinais de recuperação, mas quando os calotes ocorrerem ficará perceptível que seus riscos de balanço ainda são muito altos", disse Lu. "Seus fundamentos não são sólidos, por isso acho que essas ações terão problemas".

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