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Estrangeiros entram na hora errada no mercado de títulos chinês

Justina Lee

(Bloomberg) -- Os investidores estrangeiros que correram no mês passado para o mercado de títulos da China, de US$ 6,5 trilhões, podem ter comprado no pico.

A participação internacional na dívida chinesa subiu 2,4%, para 680 bilhões de yuans (US$ 105 bilhões) em março, apenas o segundo avanço em oito meses, depois que as autoridades reduziram as restrições sobre as aquisições estrangeiras no mercado interbancário de títulos e que o yuan se valorizou em relação ao dólar.

Desde então, os títulos soberanos e corporativos despencaram. O rendimento dos títulos soberanos de cinco anos caminha para o maior salto mensal desde o rescaldo da crise de liquidez de meados de 2013.

A Manulife Asset Management e a Fubon Asset Management dizem que os investidores deveriam se afastar do mercado de títulos do país porque as expectativas de mais estímulos estão diminuindo e a alta de dois anos da dívida da China começa a perder força.

A queda do interesse estrangeiro em títulos ameaçaria o esforço do governo de conter o êxodo de dinheiro e impulsionar o crescimento por meio do crédito barato.

"Olhando para trás, aquele não foi um bom momento para comprar títulos chineses", disse James Yip, gerente de fundo da Shenwan Hongyuan Asset Management (Asia) em Hong Kong.

"A correção poderá continuar por um tempo. Agora deveríamos esperar por um momento melhor de entrada, porque o mercado subiu demais e o sentimento, de forma geral, não é favorável para os títulos".

O fim abrupto do rali da dívida da China ocorre após o apetite global por ativos chineses dar sinais de recuperação. O yuan deu o maior salto desde 2010 em março, o dólar caiu e o governo chinês prometeu estabilidade, amenizando o temor de que a desvalorização de agosto se repetiria.

Desde que atingiu o menor valor em seis anos no dia 1º de abril, de 2,47%, o rendimento dos títulos de cinco anos do governo aumentou 29 pontos-base, e dados como produção industrial e novos créditos estão superando as estimativas, levando os investidores a reprecificar as expectativas para uma maior redução.

No mercado de crédito, o aumento dos calotes também está impulsionando a maior queda das dívidas de grau especulativo desde que os dados foram disponibilizados, em 2014. Pelo menos 103 empresas chinesas adiaram ou cancelaram neste mês 117,4 bilhões de yuans em vendas de notas planejadas até 25 de abril.

O Banco Popular da China removeu em fevereiro as cotas aplicadas à maioria das instituições financeiras para investimento no mercado interbancário de títulos após cancelar esses limites para bancos centrais e fundos soberanos de investimento em junho passado.

A câmara de compensações de Xangai disse nesta quarta-feira que em breve iniciará suas operações de títulos em yuans para investidores globais na zona de livre comércio da cidade.

Contudo, a presença de gestores de ativos internacionais continua pequena. O investimento estrangeiro respondia por apenas 2,96 por cento das notas soberanas no mercado interbancário no dia 31 de março, mostram dados da ChinaBond.

A Manulife Asset Management diz que os yields dos títulos do governo subirão mais 50 pontos-base.

"O mercado chegou a um ponto no qual provavelmente a precificação estava agressiva demais", disse Paula Chan, gerente sênior de portfólio em Hong Kong da Manulife Asset, que administrava cerca de US$ 301 bilhões no final de 2015. "Por isso a redução está ocorrendo e nós achamos que há mais espaço para isso".

Ben Hsueh, gerente de fundo da Fubon Asset em Taipé, diz que os títulos offshore das empresas chinesas são mais atraentes que as notas onshore.

"Talvez instituições como os bancos centrais tenham outras considerações, como o fato de o yuan ser, atualmente, uma das moedas mais negociadas", disse Hsueh.

"Mas, para gestores de ativos como nós, os yields não estão tão altos e não há muito espaço para buscar ganhos de capital, por isso eu acho que até os investidores domésticos prefeririam títulos internacionais se tivessem acesso a eles".

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