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Financista Bob Diamond quer comprar Barclays Africa

Richard Partington

(Bloomberg) -- Bob Diamond confirmou os rumores que circulavam há meses: depois de uma pausa forçada de quatro anos, ele quer de volta seu antigo negócio africano - com poder de fogo financeiro cortesia da Carlyle.

O financista nascido nos EUA disse em uma teleconferência na terça-feira que ele e investidores como a gigante de private equity Carlyle estão trabalhando juntos em uma oferta potencial pela participação controladora do Barclays na empresa africana. Diamond dirigiu a Barclays antes de sua demissão em 2012 durante o escândalo Libor.

"O consórcio reuniu investidores estratégicos de longo prazo", disse Diamond na teleconferência. "Há financiamento. Existe apoio para esta potencial transação".

Atlas Mara, a empresa que Diamond e o empreendedor ugandense Ashish Thakkar formaram para comprar bancos africanos, disse na terça-feira que as empresas dos dois estavam em negociações para potencialmente montar uma oferta pelo Barclays Africa e combiná-la com Atlas Mara. Uma combinação com o Barclays Africa Group rapidamente poderia acelerar o crescimento da Atlas Mara e daria a Diamond, 64, o controle das operações que ele defendia quando era o CEO do banco britânico.

Dúvidas

Sob o comando do novo CEO, Jes Staley, o Barclays está apostando em investment banking e em suas unidades de consumidores e de cartões e está vendendo sua participação de 62 por cento na unidade africana para aumentar o capital. Representantes do Barclays em Londres e em Johanesburgo não quiseram comentar.

Staley disse em entrevista à Bloomberg Television no mês passado que Diamond não teria a "capacidade financeira" para comprar a totalidade do Barclays Africa. O valor de mercado da empresa é mais de US$ 8 bilhões, e o da Atlas Mara é de apenas 307 milhões de libras (US$ 449 milhões).

Diamond ainda enfrenta dúvidas sobre a possibilidade de um acordo. Ilan Stermer, analista do setor bancário da Renaissance Capital em Johanesburgo, disse que uma aquisição enfrentaria "significativos" obstáculos regulatórios e que a Atlas Mara talvez não esteja interessada na parte sul-africana do Barclays, de onde vem a maior parte dos ganhos.

Ações da Atlas

Iniciada em 2013, a Atlas Mara fez aquisições para ganhar acesso a sete países da África subsaariana, de Botsuana à Nigéria, com planos de se expandir para entre 10 e 15 mercados. A Atlas Mara é liderada por um ex-executivo do Barclays para a África do tempo de Diamond, o ex-membro da Marinha dos EUA John Vitalo.

O preço das ações caiu pela metade nos dois anos após sua abertura de capital. Analistas criticaram a Atlas Mara por pagar demais em seus acordos e não comprar de volta ações quando elas caíram de valor.

'Certo nervosismo'

Staley está colocando um dos negócios mais rentáveis da Barclays à venda em um momento de preços baixos das commodities e turbulência política na África do Sul. Ele está se preparando para vender uma participação inicial de 10 por cento na unidade de Johanesburgo para vários investidores grandes e mantém a opção de vender a totalidade de sua participação, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

"Para algumas pessoas, causaria certo nervosismo vender um negócio para alguém que era do ramo antes", disse Piers Hillier, que ajuda a administrar cerca de US$ 123 bilhões, incluindo ações do Barclays, como diretor de investimentos da Royal London Asset Management, em uma entrevista com Anna Edwards à Bloomberg Television. "Gostaríamos que não houvesse só um candidato, que de fato era do ramo, como o único disponível para a compra. Isso não tende a significar que será possível garantir o melhor preço".

A Atlas Mara disse que seu conselho de administração "apoia a exploração da combinação potencial" da empresa com as operações africanas do Barclays, e Diamond e Thakkar vão "se abster" das discussões internas da empresa sobre a abordagem potencial.

A Atlas Mara informou hoje seu primeiro lucro anual já que os empréstimos aumentaram 15 por cento, e os depósitos, 12 por cento.

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