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Pimco prefere empresas estratégicas para o governo da China

Lianting Tu

(Bloomberg) -- No momento em que o premiê Li Keqiang permite que empresas zumbis entrem em calote, os fundos de renda fixa estão recorrendo às dívidas daquelas empresas que são tão importantes para o futuro da China que o líder do país jamais as deixaria sem respaldo.

A Pacific Investment Management está dando preferência a empresas fortes com grau de investimento dos setores de energia, serviços públicos, consumo e internet. A Pimco e o Morgan Stanley preferem empresas tão estratégicas que reportam diretamente ao governo central, e não a autoridades provinciais.

A Aberdeen Asset Management e os fundos americanos também estão se concentrando em descobrir quais empresas sobreviverão quando a garantia estatal implícita desaparecer.

"No caso das empresas estatais da China, precisamos ver quem está no topo da pirâmide", disse Raja Mukherji, chefe de pesquisa de crédito asiático da Pimco em Hong Kong. "A chave é descobrir quais setores terão apoio estatal e também gerarão um retorno positivo".

O aumento da dívida em meio à pior desaceleração econômica da China em 25 anos levou a Moody's a reduzir sua perspectiva para 38 empresas estatais em março. A Fitch Ratings disse neste mês que mais emissores terminarão em reestruturação, e não em resgate.

As notas especulativas locais estão sofrendo a pior queda desde 2014 depois que três empresas estatais renegaram títulos públicos neste ano, contra pelo menos duas em todo o ano de 2015.

"Há 12 ou 18 meses, era tabu pensar que uma entidade estatal poderia ir à falência, mas agora ficou claro que o governo está disposto a permitir que isso aconteça", disse Warren Mar, diretor-gerente de dívidas corporativas de mercados emergentes da Morgan Stanley Investment. As empresas respaldadas por províncias chinesas são as mais vulneráveis "em caso de piora das condições e crédito ou de redução do acesso desses nomes ao mercado", disse ele.

A distinção entre as emissoras fracas e fortes apenas aumentará a diferença de suas fortunas. A China Petroleum & Chemical Corp., dona da maior refinaria de petróleo da China, levantou US$ 3 bilhões vendendo dívidas em dólar nesta semana e a Moody's informou em um relatório que a empresa tirará proveito de sua "elevadíssima importância estratégica para a China".

Como contraste, a trader de commodities China Railway Materials interrompeu a negociação de títulos em 11 de abril, dizendo que está estudando "problemas de pagamento". A Moody's rebaixou a classificação da Yanzhou Coal Mining em dois degraus, para o grau especulativo, na semana passada.

As estatais Dongbei Special Steel Group, Chinacoal Group Shanxi Huayu Energy e Baoding Tianwei Group, esta última uma fabricante de transformadores, deram calote neste mês, provocando uma onda de cancelamentos de ofertas de dívidas domésticas.

Sem garantia

"A garantia implícita do governo vem desaparecendo nos créditos de estatais mais fracas, e os setores corporativos com perspectivas de lucros ruins também serão evitados", disse Edmund Goh, gerente de investimento da Aberdeen Asset em Kuala Lumpur.

O diferencial de rendimento dos títulos locais chineses de três anos com classificação AA- aumentou 42 pontos-base e caminha para a pior queda mensal desde dezembro de 2014.

A HSBC Holdings informou em um relatório, em 8 de abril, que "o apoio a estatais regionais está perdendo força" em um momento de estresse de crédito maior em setores com excesso de capacidade.

As empresas dos setores de metais, mineração e carvão precisarão pagar um total recorde de 240 bilhões de yuans em notas no segundo trimestre, segundo dados compilados pela agência de notícias Bloomberg.

"É difícil adivinhar quais estatais o governo resgatará, por isso o perfil de crédito é o mais importante na hora de analisar", disse Qiu Xinhong, gestor de recursos da First State Cinda Fund Management. "Nós evitamos estatais em dificuldades devido a prejuízos ou problemas de excesso de capacidade".

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