Preço de minério de ferro deve cair com aumento da oferta

Jasmine Ng

(Bloomberg) -- A surpreendente recuperação do minério de ferro pode ser algo do passado em apenas três meses. A oferta crescente vai superar a demanda mais uma vez, e o salto repentino no comércio especulativo na China, que ajudou a apoiar os ganhos, irá fracassar, de acordo com o Itaú Unibanco.

A commodity provavelmente voltará em breve a estar abaixo de US$ 50 por tonelada e pode terminar o ano em torno de US$ 42, disse Artur Manoel Passos, economista em São Paulo do maior banco da América Latina em valor de mercado, em uma entrevista. Na semana passada, o minério de ferro era negociado a US$ 70,46.

Passos diz ser compreensível que o mercado tenha entendido tudo errado, porque em janeiro estava muito pessimista com as perspectivas econômicas da China. Segundo ele, os ajustes serão muito rápidos e os preços cairão cerca de US$ 10 em uma ou duas semanas.

Os ganhos do minério de ferro nos primeiros meses de 2016 pegaram muitos analistas de surpresa depois que a China aumentou o estímulo, o que gerou uma recuperação inesperada no setor imobiliário. A reviravolta então ajudou a inflamar o aumento da negociação especulativa nos mercados de commodities do país. Embora a especulação tenha desempenhado um papel menor, a principal razão para o aumento do preço do ferro foi um descompasso entre o pico da demanda e o lado da oferta, que estava despreparado, disse Passos.

Segundo ele, essa recuperação vai desaparecer quando o abastecimento se ajustar, e voltaremos a uma situação de excesso de oferta, mesmo se a demanda na China aumentar um pouco. Para Passos, a especulação é basicamente uma questão de curto prazo.

O minério com 62 por cento de conteúdo entregue em Qingdao subiu 5,3 por cento, para US$ 66,24 a tonelada seca, nesta sexta-feira, diminuindo a perda desta semana para 0,1 por cento, de acordo com a Metal Bulletin. Os preços subiram 14 por cento na semana passada e ultrapassaram US$ 70 pela primeira vez desde janeiro de 2015. No ano passado, o piso foi de US$ 38,30.

O Goldman Sachs disse que a recuperação é insustentável e prevê uma queda para US$ 35 por volta do fim do ano. Até as mineradoras projetam uma queda. Mike Henry, presidente de operações e minerais na Austrália da BHP Billiton, disse que haverá uma maior produção de baixo custo. Sam Walsh, da Rio Tinto, prevê preços mais baixos.

Nem todos projetam outra queda forte. Há espaço para que o minério suba mais porque a demanda de aço na China provavelmente vai durar o restante do trimestre, de acordo com o Credit Suisse. Caso a demanda por infraestrutura absorva o aumento da produção de aço, os preços podem se manter o ano todo, disse o banco neste mês.

Remessas crescentes

Mais oferta dos dois maiores produtores está chegando. Os carregamentos da Austrália podem subir 10 por cento neste ano, para 846 milhões de toneladas, estima o Departamento de Indústria, Inovação e Ciência do país. As exportações brasileiras vão aumentar cerca de 7 por cento, para 393 milhões de toneladas, informou o Departamento.

As ações das mineradoras dispararam neste mês. Em Sidney, a BHP subiu 23 por cento, o maior crescimento desde 1999. A Rio Tinto subiu 21 por cento, e a Fortescue Metals Group, 34 por cento. A Vale, que registrou na quinta-feira seu primeiro lucro em três trimestres, também avançou neste mês.

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