Índia e Indonésia são preferidos de fundos de renda fixa

Nupur Acharya

(Bloomberg) -- Os mercados de títulos estão se instalando na Índia e na Indonésia e isso está estimulando a confiança dos investidores na dívida em moeda local desses países em um momento em que a desaceleração da inflação oferece escopo às autoridades para diminuir as taxas de juros.

A volatilidade histórica de dez dias das notas soberanas indianas com vencimento em uma década caiu para 1,8 por cento frente ao pico de 14,9 por cento deste ano, alcançado em março, mostram dados compilados pela Bloomberg. A mesma medição para títulos indonésios com vencimento similar caiu de 16 por cento para 9,7 por cento. Os investidores ganharam 1,5 por cento com a dívida do governo da Indonésia nos últimos 30 dias, o maior ganho na Ásia, seguido de um retorno de 1 por cento dos títulos indianos, mostram índices da Bloomberg.

Ambas as economias estão se beneficiando porque a queda dos preços do petróleo reforça as finanças públicas e reduz o custo de vida. A estabilização das moedas aumentou o atrativo de suas dívidas, já que os governos de ambos os países reativam as iniciativas para reforçar a infraestrutura e impulsionar reformas econômicas. Enquanto a expansão da Índia é a mais rápida entre as grandes economias, o crescimento indonésio voltou para perto de 5 por cento.

A queda na "volatilidade definitivamente apoiou o processo", disse Edwin Gutierrez, que ajuda a administrar cerca de US$ 11 bilhões como diretor de dívida soberana de mercados emergentes na Aberdeen Asset Management em Londres. "Ambos são mercados overweight fundamentais para nós e acreditamos que haja espaço para mais reduções de taxas em cada mercado porque as pressões inflacionárias se mantêm contidas em ambos".

Taxa

O banco central da Índia reduziu sua taxa de recompra no dia 5 de abril pela quinta vez desde o começo de 2015 e disse que sua política continuará sendo acomodatícia. O Banco da Indonésia reduziu a taxa de referência em 75 pontos-base neste ano. Houve uma pausa no mês passado porque o banco está se preparando para adotar um novo ponto de referência em agosto para garantir uma melhor transmissão dos ajustes para a economia.

O yield sobre o título da Índia com vencimento em dez anos recuou 33 pontos-base neste ano, para 7,43 por cento, e o da Indonésia caiu 97 pontos-base, para 7,78 por cento, mostram dados compilados pela Bloomberg.

"A Índia e a Indonésia estão passando por uma transição econômica ajudada por governos pró-reformas e bancos centrais que visam a estabilidade inflacionária", disse Anders Faergemann, gerente sênior de carteira de valores da PineBridge Investments, em resposta por e-mail a perguntas. "A diferença entre os yields da dívida indiana e indonésia com vencimento em dez anos se reduziu abruptamente e nesta conjuntura nós preferimos o mercado de títulos da Índia ao da Indonésia".

Previsões

Os ativos estrangeiros em títulos corporativos e de governos denominados em rúpias aumentaram 48,3 bilhões de rúpias indianas (US$ 726 milhões) nos últimos sessenta dias após perderem 87,6 bilhões de rúpias indianas em fevereiro por causa de uma queda nos mercados emergentes. Fundos estrangeiros injetaram US$ 5 bilhões nas notas indonésias neste ano, contribuindo assim para o avanço de 4,1 por cento da rúpia indonésia frente ao dólar. A rúpia indiana enfraqueceu 0,6 por cento neste ano.

Uma maior flexibilização monetária poderia impulsionar os yields das notas com vencimento em dez anos em ambos os países para 7 por cento no fim do ano, disse Gutierrez, da Aberdeen, que visa aumentar seus ativos de dívida indonésia.

"Serão necessárias pelo menos duas reduções de taxas do Banco da Indonésia e do Banco Central da Índia" para que os yields caiam para 7 por cento, disse ele.

 

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