Maiores corretoras do Japão aceleram saída das commodities

Stephen Stapczynski e Ichiro Suzuki

(Bloomberg) -- As principais corretoras do Japão não veem no horizonte uma recuperação da queda das commodities e estão acelerando sua saída do setor de energia e de matérias-primas.

Os cinco maiores traders do país projetam mais quedas para o petróleo, que já desabou cerca de 60 por cento durante os últimos dois anos. A Mitsubishi prevê que os preços recuarão 19 por cento neste ano fiscal, e a rival Mitsui projeta um declínio de 15 por cento. A Itochu vê uma queda de quase 29 por cento para o Brent, a referência internacional.

"A pressão negativa sobre os preços de metais e combustíveis continuará durante os próximos dois ou três anos", disse Tatsuo Yasunaga, CEO da Mitsui, a repórteres na terça-feira.

As projeções ilustram o dilema em que se encontram os traders do Japão, depois de terem investido pesado em metais e energia no ápice do boom das commodities. As empresas, que fornecem de gasolina ao macarrão no Japão, país pobre em recursos naturais, agora estão tentando diversificar os negócios e ativos, afastando-se dos projetos de energia e mineração.

As cinco principais corretoras tiveram no total 1,23 trilhão de ienes (US$ 11 bilhões) em baixas contábeis no ano finalizado em março porque o valor dos ativos de metal, petróleo e gás caiu. Em particular, a Mitsubishi registrou uma baixa de 271 bilhões de ienes em um projeto de cobre no Chile, e a Sumitomo registrou uma baixa contábil de 77 bilhões de ienes em um empreendimento de níquel em Madagascar.

O preço da ação da Mitsubishi despencou cerca de 30 por cento nos últimos 12 meses, e o da Mitsui, 22 por cento. As quedas se comparam com o declínio de 15 por cento do Nikkei 225 Stock Average, do Japão.

Perdas anuais

Mitsubishi e Mitsui, informaram nesta semana suas primeiras perdas anuais. As empresas, que projetam que os preços do petróleo continuarão estagnados nos próximos três anos, visam fortalecer os negócios não relacionados com os recursos naturais.

A Mitsui espera que seus negócios relativos à energia se equilibrem no atual ano fiscal depois de ter registrado baixas contábeis de mais de 70 bilhões de ienes em projetos de gás e petróleo no ano passado, de acordo com o CEO Yasunaga.

A Itochu, terceiro maior trader do Japão por valor de mercado, tem diversificado e se afastado do setor de energia. A empresa registrou o maior lucro entre os traders. Ela prevê que o petróleo bruto Brent ficará em média em US$ 35 no ano fiscal que termina em março. A referência mundial teve uma média de US$ 43,69 no atual ano fiscal até 9 de maio.

A Mitsubishi pretende aumentar os investimentos em áreas não relativas aos recursos naturais, como fabricação de bens de consumo e veículos a motor, e a Mitsui planeja transferir investimentos a projetos de infraestrutura, ao setor alimentício e ao de vendas pela televisão. Um dos maiores contribuintes para os lucros da Sumitomo no ano fiscal anterior foi sua divisão de Mídia, Solução de TI, Rede e Supermercado, que abrange uma participação na maior rede de compras em casa do Japão.

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