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Para Deutsche Bank, boom de crédito na China não é sustentável

Tracy Alloway

(Bloomberg) -- "Emprestem, emprestem, emprestem!", ordenaram as autoridades reguladoras da China.

"Para quem, para quem, para quem?", perguntaram os bancos chineses.

"Para mim, para mim, para mim!", ninguém em particular sugeriu.

As tentativas da China de revigorar sua economia enfraquecida com um boom de crédito pode ter dado um impulso inesperado ao PIB do país no primeiro trimestre, mas um novo relatório de analistas do Deutsche Bank põe em dúvida a sustentabilidade da iniciativa.

Os analistas apontam para a crescente lacuna entre a oferta de dinheiro e o crescimento do crédito, "que sugere que o estímulo atual através da expansão do crédito não se traduziu completamente em empréstimos a empresas e indivíduos". O que mais preocupa é que o crédito ampliado poderia estar entrando no sistema financeiro, em vez de partir dele.

"O senso comum enfoca a dívida no setor não financeiro e o problema dos possíveis empréstimos inadimplentes nos bancos. Esses riscos poderiam levar anos para se materializar completamente", escreveram os analistas Zhiwei Zhang e Li Zeng. "O que destacamos é uma nova fonte de riscos. Ela provém do próprio setor financeiro", disseram. Se continuar crescendo sem uma regulamentação apropriada, "pode levar a um ajuste perturbador".

Essa incompatibilidade seria um resquício do boom de crédito vivido pela Tailândia, pela Coreia do Sul e pelos EUA antes de suas respectivas crises financeiras em 1998 e 2008, acrescentaram os analistas.

"Como o crescimento da M2 poderia ser tão mais fraco que o crédito? A resposta é que uma grande parte do crédito dos bancos retorna ao sistema bancário através de canais que não são depósitos", acrescentaram os analistas, usando o acrônimo de um indicador comum da oferta de dinheiro.

O que está em questão é o modo em que os bancos poderiam estar negociando entre si como forma de compensar a queda das margens de lucro. Em vez de simplesmente emprestar direto para uma empresa, os bancos poderiam optar por realizar seus empréstimos corporativos através de instituições financeiras não bancárias como modo de aumentar os próprios retornos.

Esse financiamento circular elevaria o crédito para um grau acima da oferta de dinheiro, mas poderia deixar o sistema bancário mais exposto ao colapso, em comparação com a exposição 'apenas' a projetos de investimento não rentáveis e a empréstimos inadimplentes.

"Por um lado, o setor bancário vem estimulando energicamente os novos empréstimos, o que em parte reflete a disposição do governo para respaldar o crescimento e em parte é impulsionado pelas necessidades de alavancagem a fim de compensar a margem de lucros mais estreita e preservar os retornos. Por outro lado, muitos mutuários relutam em investir o crédito dos bancos na economia real. Em vez disso, eles tentam buscar oportunidades de investimento financeiro", concluíram os analistas do Deutsche Bank. "Como os retornos reais estão diminuindo e a quantidade de ativos financeiros atrás desses retornos está aumentando, não deveria ser surpreendente que eles recorram à alavancagem financeira para elevar os retornos".

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