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Para operadores de mercado, dólar está tão vulnerável à política quanto libra

Rachel Evans

(Bloomberg) -- Para os traders que desejam saber o que a eleição presidencial dos EUA vai significar para o dólar, basta olhar para o Reino Unido.

A libra atingiu o menor valor em sete anos e a volatilidade subiu, superando a das moedas de todos os outros países do Grupo dos 10, devido aos riscos criados pelo referendo sobre a participação na União Europeia. Devido ao discurso combativo sobre a força do dólar dos candidatos que disputam a Casa Branca, a moeda está tão vulnerável à política quanto a libra, segundo o Deutsche Bank, o JPMorgan e o Standard Bank.

Republicanos e democratas acusaram a China de desvalorizar sua moeda de propósito para ganhar uma vantagem comercial, refletindo a inquietação do eleitor ligada a uma queda de 14 por cento nos empregos nas fábricas na última década. Se esse discurso se transformar em ação, os países que buscaram taxas de câmbio mais competitivas entrarão na linha de fogo, o que aumentará a volatilidade cambial, escreveu Alan Ruskin, do Deutsche Bank, em nota do dia 6 de maio. A China, o Japão e a Alemanha foram colocados no mês passado em uma lista de observação de manipuladores cambiais do Departamento do Tesouro.

"Considerando que existe uma pressão antiglobalização e contrária ao livre comércio correndo pelo eleitorado americano, o dólar forte será uma possível vítima", disse Paresh Upadhyaya, diretor de estratégia cambial em Boston da Pioneer Investments, que administra cerca de US$ 236 bilhões. "Os mercados começarão a precificar um prêmio de risco pelo dólar americano e pelos mercados financeiros dos EUA".

John Normand, chefe de pesquisa de câmbio, commodities e taxas internacionais do JPMorgan, diz que os investidores deveriam preferir o euro e o iene caso surja algum conflito comercial após a eleição. Steven Barrow, do Standard Bank, alerta para uma "agitação pré-voto" para o dólar -- lembrando a resposta da libra à Brexit -- e para uma queda de 20 por cento do dólar em meses se Donald Trump chegar à Casa Branca.

Aumento da volatilidade

A repentina conclusão de que a política deixou a libra exposta veio em fevereiro, quando políticos britânicos estabeleceram a data de 23 de junho para um referendo há tempos debatido sobre a saída do maior mercado com moeda única do mundo. A volatilidade da libra deu o maior salto desde 1998 em 23 de março, precisamente três meses antes do referendo.

O dia da verdade para o dólar pode ocorrer já em julho, quando os partidos republicano e democrata realizam convenções para escolher formalmente seus candidatos. Trump é o nomeado mais provável dos republicanos, e Hillary Clinton lidera pelos democratas. A volatilidade dólar-iene subiu uma média de 1,6 ponto percentual no período de três meses que antecedeu as eleições presidenciais nas últimas duas décadas, mostram os preços de opções.

"O dólar muito forte já entrou no cenário como um problema", disse Ruskin, um dos diretores globais de pesquisa de câmbio em Nova York do Deutsche Bank. "Qualquer coisa que perturbe o comércio ou que seja percebida como algo que provavelmente perturbará o comércio vira uma nova fonte de incerteza".

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