Regras de compensação podem prejudicar bancos de Wall Street

Jesse Hamilton

(Bloomberg) -- Os pagamentos a gestores de recursos podem ficar menos restritos na BlackRock do que no JPMorgan Chase, segundo uma proposta que enfraqueceria os bancos de Wall Street na concorrência por talentos.

Regras amplas de compensação divulgadas por seis agências do governo americano no mês passado impõem as maiores restrições - incluindo deferimento de bônus e reversão de bônus no longo prazo - a instituições financeiras com enormes balanços patrimoniais formados principalmente por ativos próprios.

Dado que firmas como a BlackRock lidam principalmente com dinheiro de clientes, seus gestores de fundos enfrentariam limites menos severos do que profissionais que desempenham função semelhante dentro de um banco de grande porte.

Se entrar em vigor no formato atual, a regra de compensação pode prejudicar os bancos de Wall Street que vêm tentando expandir seus negócios de gestão de fortunas desde a crise financeira de 2008.

Dificuldades enfrentadas por Morgan Stanley, Bank of America e Goldman Sachs para recrutamento e retenção de pessoal podem beneficiar Pacific Management Investment Co., Vanguard Group Inc. e Fidelity Investments.

"Fica cada vez mais difícil ser um grande banco", disse Oliver Ireland, sócio do escritório de advocacia Morrison & Foerster, em Washington. Não faz sentido tratar um funcionário de banco de maneira distinta de um profissional que realiza função similar em uma firma independente quando os riscos que representam ao sistema "podem ser idênticos", ele avaliou

Colapso econômico

Os legisladores incluíram as restrições aos bônus na Lei Dodd-Frank, de 2010, em resposta a percepções de que pacotes de compensação baseados em incentivos levaram executivos de Wall Street a assumir riscos que contribuíram para o colapso da economia.

O plano apoiado por agências incluindo a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) e o banco central (Federal Reserve) se aplica a todas as instituições financeiras com mais de US$ 1 bilhão em ativos, separadas em três categorias de tamanho. A proposta contempla diversos limites para executivos de alto escalão e profissionais que assumem riscos significativos - justamente os que podem influenciar mais os lucros.

Nas instituições com mais de US$ 250 bilhões em ativos, 60 por cento dos bônus dos principais profissionais seriam deferidos por quatro anos. Para entidades com US$ 50 bilhões a US$ 250 bilhões em ativos, metade dos bônus do alto escalão teria adiamento por três anos. As restrições para firmas menores são mais brandas.

Reversão de bônus

Talvez seja mais preocupante para o setor uma provisão permitindo o cancelamento dos bônus ou retomada de dinheiro até sete anos após os bônus serem efetivados em caso de descoberta de má conduta.

Dos 669 assessores de investimentos registrados que estariam sujeitos à regra, a SEC calcula que somente 18 enfrentariam o nível mais severo da regulamentação. Muitos atuam em bancos. Nem a maior gestora de recursos do mundo, a BlackRock, tem ativos suficientes para enquadramento nesse nível máximo.

A Blackstone, colosso em private equity, administra US$ 344 bilhões, mas somente US$ 22 bilhões são seus. Mesmo fundos de hedge imensos - que recentemente foram destacados pelas autoridades reguladoras dos EUA como merecedores de maior supervisão devido a alavancagem excessiva - evitariam a maioria das restrições.

Adiar pagamentos de bônus já é comum em Wall Street, embora nem todas as instituições exijam os quatro anos de espera que as autoridades propõem. No caso da gestão de ativos, uma revisão dos documentos públicos dessas instituições mostra amplas similaridades entre as práticas de pagamento dos bancos e das firmas independentes.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos